Danças populares inocentes na católica Espanha
UM TEMA ATUAL:
BAILES
"católicos"
DIVERSOS leitores de "Catolicismo" têm desejado conhecer o pensamento da Igreja acerca dos bailes promovidos com a intenção de favorecer o convívio entre católicos, ou obter recursos para obras de utilidade apostólica ou social.
Dada a importância da matéria, julgamos oportuno reproduzir a integra de um decreto da Sagrada Congregação Consistorial, de 31 de março de 1916, que traduzimos diretamente do texto latino publicado NA "Acta Apostolicae Sedis" de maio daquele ano, vol. VIII, p. 147:
"No século passado, originou-se nos Estados Unidos da America do Norte o costume de reunir as famílias católicas em bailes que habitualmente se prolongavam por muitas horas durante a noite, acompanhados de ceia e outros divertimentos. Alegava-se que isto se fazia a fim de que os católicos se conhecessem mutuamente e se unissem de modo mais íntimo por vínculos de amor e caridade, ao mesmo tempo que se angariavam os subsídios necessários para esta ou aquela obra pia. Os que costumavam promover e presidir essas reuniões eram, na maioria das vezes, os presidentes de alguma obra pia, e, não raro, os próprios Reitores de Igrejas e Párocos.
Mas os Ordinários locais, embora não duvidassem da retidão de propósitos daqueles que promoviam esses bailes, vendo entretanto os danos e perigos do costume que se alastrava, julgaram de seu dever proibi-los, - e por isso estabeleceram, no canon 290 do III Concilio Plenário de Baltimore, o seguinte: Ordenamos também que os Sacerdotes diligenciem por que seja absolutamente extirpado o abuso de se organizarem ceias com bailes (balis) para promover obras pias.
Entretanto, como frequentemente acontece nas coisas humanas, a ordem muito justa e sabia dada de início foi aos poucos caindo no esquecimento; e o costume dos bailes recomeçou a se estender, e até mesmo a ser difundido no vizinho Domínio do Canadá.
Tendo disto conhecimento os Emmos. Padres da Sagrada Congregação Consistorial, depois de ouvidos muitos Ordinários locais, e examinado o assunto com grande atenção, resolveram que devem ser firmemente mantidas as sanções estabelecidas pelo III Concilio de Baltimore, e, com a aprovação de Nosso Ssmo. Senhor Bento PP. XV, decretaram que todos os Sacerdotes, quer seculares, quer regulares, e demais Clérigos estão absolutamente proibidos de promover ou fomentar os referidos bailes, ainda que seja para o proveito e auxilio de obras pias, ou para qualquer outro fim piedoso; bem que todos os Clérigos estão proibidos de assistir a esses bailes, se por acaso forem promovidos por leigos.
O Sumo Pontífice ordenou que o presente decreto fosse publicado, e por todos religiosamente cumprido, não obstante quaisquer disposições em contrário.
Dado em Roma, do Palácio da Sagrada Congregação Consistorial, no dia 31 de março de 1916.
† C. Card. De Lai, Bispo de Sabina, Secretário
† Thomaz Boggiani, Arceb. de Edessa, Assessor".
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Como facilmente se observará, este documento tem diretamente em vista os Estados Unidos e o Canadá. Mas ele exprime com bastante clareza a doutrina da Igreja sobre a matéria, para ser lido com edificação e proveito pelos fiéis do mundo inteiro.
Quanto ao Brasil, releva notar o decreto no 27,§ 1o, do Concilio Plenário Brasileiro, que entre nós tem força de lei: ''De conformidade com o espírito do canon 140, proíbe-se absolutamente que os Clérigos promovam bailes, embora para fim caritativo ou religioso, ou sequer estejam a eles presentes". E esse dispositivo do nosso Concilio se reporta, em nota, ao decreto acima transcrito, bem como a outro emanado da Sagrada Congregação e datado de 10 de dezembro de 1917, no mesmo sentido.
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Mas, dir-se-á, estes decretos se aplicam só aos Clérigos. Em seus termos diretos e imediatos, sim. Porém, um católico inteligente e zeloso não pode deixar de inferir daí, que a Santa Igreja vê com apreensão e desagrado tais bailes. O que certamente deve bastar para que eles não contem com o aplauso e apoio dos que desejam viver em intima união com tão boa Mãe.
A Inglaterra católica soube reagir contra os emissários do anti-Cristo
A recente visita de Bulganin e Kruchtchev à Inglaterra, em fins de abril, ofereceu ensejo a que os católicos daquele país dessem ao mundo inteiro uma admirável demonstração de vigor espiritual.
Assim é que todas as forças vivas do Catolicismo inglês exprimiram com energia sua repulsa à presença dos tiranos soviéticos em solo britânico. Ao mesmo tempo reclamaram do governo um protesto categórico contra a perseguição feita à Igreja atrás da cortina de ferro, bem como a decisão de condicionar quaisquer negociações ao término dessa opressão.
As agencias telegráficas se calaram a respeito dessas manifestações, que, todavia, foram noticiadas com o devido destaque pelo importante semanário católico "The Tablet", de Londres.
PRONUNCIAMENTO DO EPISCOPADO
Logo que ficou marcada a data da visita dos chefes russos à Inglaterra, o Episcopado, tendo à sua frente o Cardeal Griffin, Arcebispo de Westminster, publicou uma Pastoral Coletiva, para ser lida em todas as igrejas da Inglaterra e do País de Gales, definindo a posição dos católicos em face desse acontecimento. Inicialmente, nesse documento, os Exmos. Bispos declaram cumprir uma obrigação para com os "milhões de cristãos que sofrem perseguição na Europa Oriental e no Extremo Oriente", ao "proclamar publicamente que a hospitalidade oferecida por nosso país aos inimigos da Igreja não significa que concordemos com políticas atéias".
Em seguida, encarecendo o dever dos católicos de quebrar o silêncio ante essa insolente visita, afirmam: "Entretanto, não devemos permanecer calados. Temos o dever, para com Deus e para com todos os filhos de Deus que estão no cativeiro, de fazer ouvir a nossa voz. Durante as próximas semanas os povos da Europa Oriental poderão ser informados pela imprensa e pelo rádio da acolhida proporcionada por este país cristão aos inimigos de Deus. Confortá-los-á ouvir - e eles ouvirão - que as vozes dos cidadãos católicos se elevaram em sua defesa. O Papa advertiu o mundo de que uma verdadeira coexistência entre ateus militantes e crentes é impossível".
Especificando o que a Igreja espera do governo, assim continua a Pastoral Coletiva: "Confiamos, contudo, em que os membros do Parlamento insistirão junto ao governo para que este declare aos seus hóspedes quanto este país detesta a perseguição religiosa. Os fatos são espantosos e indiscutíveis. Os anais soviéticos da última década não encontram paralelo. Que nosso governo não se furte, em nome da cortesia diplomática, a uma exposição franca do pensamento dos cidadãos britânicos. A justiça e a caridade exigem isso, no mínimo".
O documento termina com estas palavras: "Nós, Arcebispos e Bispos da Inglaterra e do País de Gales, solicitamos ao Nosso amado povo que proceda com dignidade e reserva durante a visita dos líderes soviéticos. Convidamos os fiéis a fazer no Domingo "in-albis", 8 de abril, um dia de oração e recomendamos encarecidamente a todos vós que recebais a Santa Comunhão. Por toda a parte onde for possível, seja exposto o Santíssimo Sacramento nas igrejas e capelas desde a última Missa até o oficio vespertino. De joelhos diante dos Santíssimo Sacramento pedi perdão para os inimigos de Cristo, como Ele fez sobre a Cruz. Pedi ao Divino Mestre e a Maria sua Mãe que confortem e fortaleçam os que sofrem perseguição. Desse modo, os próximos acontecimentos que certamente causarão dor e embaraço a todos os cristãos, poderão, pela graça de Deus, tornar-se uma fonte de esperança e encorajamento para todos os que vivem à sombra da Cruz".
REPRESENTAÇÃO DO LAICATO AO GOVERNO
Também muito significativa foi a representação dirigida pelo laicato católico ao Primeiro Ministro, Sir Anthony Eden, através do Duque de Norfolk, Presidente da União Católica da Grã-Bretanha. Na parte principal do documento, o Duque de Norfolk solicita a garantia de que durante a visita os representantes da URSS seriam informados pelo governo de Sua Majestade, "em termos claros e inequívocos", de que a normalidade de relações entre o governo e o povo da Grã-Bretanha e o governo da URSS "não poderá ser assegurada enquanto não houver provas de que o governo da URSS cessou verdadeiramente de combater a Religião em seus próprios territórios, e de apoiar ou aprovar medidas tomadas com o mesmo fim pelos governos de outros países sob domínio comunista".
Na resposta a esta representação o Primeiro Ministro afirmou: "Não temos intenção de sacrificar princípios pelos quais este país sempre se bateu nas relações humanas e internacionais".
OPORTUNAS PALAVRAS DE MONS. GAWLINA
A mais impressionante das manifestações de protesto foi, porém, a organizada pelos refugiados poloneses no mesmo dia em que Bulganin e Kruchtchev tomaram chá com a Rainha no Castelo de Windsor.
Pela manhã desse dia, que foi domingo, a igreja do Brompton Oratory, em Londres, foi pequena para conter os poloneses que ali se reuniram para rezar pelos seus mortos e pela liberdade da pátria. O Arcebispo Mons. Joseph Gawlina, Visitador Apostólico dos poloneses no exílio e Diretor da Federação Mundial das Congregações Marianas, ostentando a cruz "Virtuti Militari", pregou o sermão, dizendo a certa altura: "O fato de estarem cheias as igrejas na Polônia e de velarem as mães pelas almas de seus filhos, de se revoltar nossa juventude contra a tirania atéia e de o povo desprezar os traidores, não são provas de liberdade. São sinais de resistência, testemunhos de saúde moral, documentos de inflexibilidade nacional. O Primaz está prisioneiro; dez Bispos foram expulsos de suas Dioceses, que foram entregues a intrusos; os Sacerdotes estão encarcerados; os fiéis são perseguidos: esta é a realidade..."
Em seguida declarou S. Excia. Revma.: "Um Ano Mariano teve início agora na Polônia para comemorar o tricentenário da libertação do país da invasão sueca. Naquela ocasião é que Nossa Senhora foi proclamada, pelo Rei e pelo povo, Rainha da Polônia. Renovemos a Ela esses votos de fidelidade e oremos para que nos conduza de novo à liberdade..."
Terminada a cerimônia na igreja teve início imponente procissão rumo a Whitehall, onde se encontra o Monumento ao Soldado Polonês. À frente ia o General Wladislaw Anders, comandante-chefe do exército da Polônia durante a guerra, acompanhado de outras personalidades polonesas e britânicas. Em seguida desfilavam representações de quase todas as nações sob ocupação soviética, dispostas em ordem alfabética. Lá estavam os exilados da Checoslováquia, Estônia, Hungria, Iugoslávia, Lituânia, Letônia, etc. Encabeçando o grupo polonês viam-se duas imagens: a de Nossa Senhora de Czestochowa, Rainha da Polônia, e a de Nosso Senhor Crucificado, com uma mordaça. Esta imagem de "Cristo amordaçado" tinha uma inscrição que dizia: "Possa a Igreja do Silêncio na Polônia ser uma advertência para o mundo livre". Por fim vinham os ex-combatentes carregando dísticos que os identificavam: lutamos como pilotos na batalha da Inglaterra, combatemos em Arnhem, em Monte Cassino, em Tobruk, na terra, no ar, no mar.
Este desfile, cujo número de participantes foi estimado entre 16.000 e 20.000 pessoas, empolgou a população londrina, que o aplaudiu calorosamente.
Em Whitehall fez-se a junção com cerca de 20.000 outros manifestantes. As cerimônias terminaram com a deposição, pelo General Anders, de uma coroa junto ao Monumento do Soldado Polonês.
NOVOS MONSENHORES
O Santo Padre gloriosamente reinante Se dignou inscrever entre seus Prelados Domésticos o Exmo. Revmo. Mons. Antonio Ribeiro do Rosario.
A decisão do Soberano Pontífice corresponde ao anseio da população campista, em cujo meio o distinto Prelado ocupa lugar de relevo. Inteligente, operoso, dotado de autênticas qualidades de jornalista, tribuno e educador, S. Excia. se tornou alvo da admiração dos campistas por sua atuação na Câmara Municipal, à testa da Paróquia confiada a seus cuidados, cujo incremento espiritual e material se deve todo a ele, bem como na direção do colégio de que é fundador. Assim, o preclaro diretor desta folha viu seu zelo sacerdotal premiado por um gesto altamente honroso de Sua Santidade, e pelo contentamento que tal gesto causou a nossa população.
Também aprouve ao Augusto Pontífice recompensar os trabalhos apostólicos do Exmo. Mons. Joaquim Taumaturgo Coimbra de Albuquerque, elevando-o à dignidade de Camareiro Secreto.
Tendo atrás de si fecundo passado missionário, desenvolvido com abnegação nas selvas amazônicas, e uma atuação empreendedora nas várias Paróquias a cuja testa se encontrou, hoje exerce com relevo as funções de Cura da Catedral.
Assim, foi igualmente com vivo agrado que os fiéis desta Diocese tomaram conhecimento do expressivo e honroso ato do Santo Padre Pio XII.
VIRTUDES ESQUECIDAS
TEMÍVEL ATÉ NO SORRISO, AMÁVEL ATÉ NA IRRITAÇÃO
De um sermão sobre a Purificação, do Venerável Frei Luis de Granada, grande pregador dominicano do século XVI, de quem São Carlos Borromeu disse não haver em seu tempo quem tivesse escrito livros espirituais tão úteis e tão preciosos:
É, preciso saber que entre os deveres do cristão o mais difícil é o de harmonizar entre si certas virtudes que parecem combater-se mutuamente por sua própria natureza. Assim, é preciso unir a simplicidade à prudência, a misericórdia à justiça, a amabilidade à gravidade, a grandeza de alma à humildade, a severidade à doçura, a discrição ao zelo pela glória divina, e por fim a esperança ao temor. Ora, não se pode reunir essas virtudes de modo que uma não prejudique à outra, sem um benefício todo especial da graça de Deus. Só o Criador, soberano de todas as coisas, que dotou os seres inferiores de qualidades contrarias, pode conservar íntegras no mesmo homem essas virtudes diferentes, de sorte que ele seja ao mesmo tempo prudente como a serpente, simples como a pomba, justo e misericordioso, grave e amável (fazendo-se temer mesmo quando ri, e amar quando está irritado, como diz S. Gregório), igualmente sustentado pelo temor e pela esperança, a exemplo desse santo velho Simeão que, cheio do temor de Deus, fazia da salvação do mundo o único objeto de seus pensamentos de suas esperanças. ("Lectures Spirituelles sur les Fétes de la Très Sainte Vierge", P. Goedert, E. M., Paris, Garnier Frères, p. 229).