num regime de força como era aquele, houvesse hegemonia de um grupo de regiões sobre outras. De qualquer forma, não havia união, e sim compressão.
Pouco habituados à paz
Após tanto tempo sob tal regime de compressão, acentuaram-se as discrepâncias entre esses vários povos, aos quais falta quase inteiramente o hábito de relações cordiais, respeitosas na reivindicação dos mútuos direitos. Carecem, pois, de relações que valorizem mais a paz do que a guerra, como meio de convivência. E, portanto, não parecem dispostos a suportar alguns inconvenientes para evitar de entrar num estado de conflagração.
Aliás, outro não é o parecer de Henry Kissinger, o qual declarou: “A evolução da nova Comunidade de Estados Independentes deverá ser longa, dolorosa e possivelmente violenta. As várias repúblicas estiveram ligadas à força durante quatro séculos sob a égide do que é hoje a Rússia, que reprimiu iniciativas locais e preencheu os postos-chave com russos” ("O Estado de S. Paulo", 13-11992). Sem dúvida, os conhecidos aspectos absolutistas do regime tzarista contribuíram para pavimentar o caminho do totalitarismo comunista. Mas, convém assinalar que o ex-secretário de Estado norte-americano procura fazer tábula rasa dos mais de 70 anos de tirania e subversão comunistas, as grandes responsáveis pelo completo despreparo moral e psicológico em que ficaram esses povos.
Guerra geral?
Então qual é a solução no momento? Condicionar a ajuda da Europa Ocidental –– da qual esses povos vivem –– a um regime imparcial, que mantivesse de fora para dentro a paz, vinculada a esse auxílio. Mas vê-se que, por um entranhado liberalismo, as potências da Europa nem cogitam dessa hipótese.
Outra hipótese extremada seria deixar campo livre para o tumulto crescer, e aguardar os resultados, na esperança de que, por exaustão, os incêndios acabem se apagando, com base na convicção de que não vale a pena estar brigando inutilmente. Não é impossível, entretanto, que ao invés desse epílogo, os acontecimentos desfechem numa guerra geral.
É em tal situação que se encontram no momento a Rússia e seus antigos satélites. enquanto conjunto de nações presentes no tabuleiro internacional. E, conforme for a distribuição de armas atômicas naqueles territórios, poderemos chegar a presenciar até uma terrível troca de confete nuclear, obrigando mesmo ao envolvimento do Ocidente.
Tanto mais que ninguém sabe ao certo qual continua sendo a influência da “linha dura” soviética nas Forças Armadas dos vários países da região. Se essa influência for grande, talvez preponderante, as consequências são imprevisíveis, mesmo para o Ocidente.