Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 491 | página 14-15
| CADERNO ESPECIAL |(continuação)

A perplexidade de São José

Evangelho de São Mateus, 1, 18-18

A geração de Jesus Cristo foi deste modo: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, achou-se ter concebido (por obra) do Espírito Santo, antes de coabitarem, José, seu esposo, sendo justo, e não a querendo difamar, resolveu repudiá-la secretamente. Andando ele com isto no pensamento, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos, e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber em tua casa Maria, tua esposa, porque o que nela foi concebido é (obra) do Espírito Santo. Dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta, que diz: "Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porão o nome de Emanuel", que quer dizer: "Deus conosco".

Ao despertar José do sono, fez como lhe tinha mandado o anjo do Senhor, e recebeu em sua casa (Maria), sua esposa. Não a conheceu até que deu à luz um filho, e pôs-lhe o nome de Jesus.

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Comentários compilados por São Tomás de Aquino na "Catena Aurea"

São João Crisóstomo, 7ª Homilia - O Anjo apareceu a José em meio a sua perturbação também para que se manifestasse a sabedoria deste justo, e que nisto se visse uma demonstração do que se lhe anunciava: pois ao ouvir da boca do Anjo o mesmo que ele pensava em seu interior, era sinal inequívoco de ser enviado de Deus o que falava, pois só Deus conhece os segredos do coração. Além disso, a narração do Evangelista não admite suspeita, ao dizer-nos que José sofreu o que é natural que sofra um esposo.

Tampouco pode ser suspeita a Virgem, dado que seu Esposo, apesar de seus temores, tomou-a sob sua custódia e continuou em sua companhia depois de ela ter concebido. E se a Virgem não revelou a José o que o Anjo lhe havia anunciado, foi porque julgava que seu esposo não acreditaria, principalmente depois de ter-se tornado suspeita. E o Anjo anunciou o mistério à Virgem antes de esta conceber, para que ela não ficasse em contínua ansiedade, se ele dissesse depois [da concepção]. Pois era convenientíssimo que se achasse livre de toda perturbação aquela Mãe que recebeu em seu seio o Criador de todas as coisas.

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Comentário do Revmo. Pe. Berthe

A volta de Nossa Senhora a Nazaré tornou-se a ocasião de mortais angústias. Desde a primeira conversa com sua esposa, José não pôde deixar de notar os sinais não equívocos de sua futura maternidade. Ignorando o mistério da Encarnação, ele se perguntou o que devia pensar, e que decisão deveria tomar. Apesar das aparências, ele recusava crer Maria culpada de um crime.

Maria lia no rosto de seu esposo as cruéis perplexidades que transtornavam sua alma. Ela sofria por vê-lo sofrer, mas seu rosto conservou sua angélica serenidade. Nenhum sentimento de inquietude alterou a candura de seus traços. Como nenhuma palavra humana podia acalmar as legítimas ansiedades de seu esposo, ela esperou em silêncio que aprouvesse a Deus colocar fim a essa prova.

Com o coração rompido, José tomou enfim a partido que lhe pareceu mais conforme à justiça. Bastante seguidor da lei para continuar a morar com Maria antes da explicação do mistério, bastante caridoso para entregar ao juiz uma mulher que ele persistia em crer inocente, resolveu abandoná-la discretamente .... Uma noite, ele fez os preparativos para a partida, e adormeceu após ter feito a Deus seu sacrifício.

Ora, durante seu sono, um anjo do céu lhe apareceu e, com uma palavra, dissipou todas as suas inquietudes ("Jésus-Christ, sa vie, sa passion, son triomphe", Paris, Téqui, 1924. P. 17).


O amor ou desprezo do santo Rosário distingue os que são de Deus e os que são do demônio

São Luís Maria Grignion de Montfort (*)

(*) Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Vozes, Petrópolis, 1961, 6ª ed., n. 250

No livro De dignitate Rosarii (Sobre a dignidade do Rosário)(cap. II), do bem-aventurado Alano de Ia Roche, lê-se o seguinte que a Santíssima Virgem lhe revelou:

"Saibas, meu filho, e comunica-o a todos, que um sinal provável e próximo de condenação eterna é a aversão, a tibieza, a negligência em rezar a Saudação Angélica, que foi a reparação de todo o mundo".

Eis aí palavras consoladoras e terríveis, que se custaria a crer, se não no-las garantissem esse santo homem e antes dele S. Domingos, como, depois dele, muitos personagens fidedignos com a experiência de muitos séculos. Pois sempre se verificou que aqueles que trazem o sinal de condenação, como os hereges, os ímpios, os orgulhosos, e os mundanos, odeiam e desprezam a Ave-Maria e o terço. Os hereges ainda aprendem e recitam o Pai-Nosso, mas abominam a Ave-Maria e o terço. Trariam antes uma serpente sobre o peito do que o rosário ou o terço. Os orgulhosos também, embora católicos, mas tendo as mesmas inclinações que seu pai Lúcifer, desprezam ou mostram uma indiferença completa pela Ave-Maria, considerando o terço como uma devoção efeminada, suficiente para os ignorantes e analfabetos. Ao contrário, tem-se visto, e a experiência o prova, que aqueles e aquelas que possuem outros e grandes indícios de predestinação, amam, apreciam e recitam com prazer a Ave-Maria. E que quanto mais são de Deus, tanto mais amam esta oração. É o que a Santíssima Virgem diz também ao bem-aventurado Alano, em seguida às palavras que citei.

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Oração de Ester (trechos)

Ester, 14, 3-19

[A rainha Ester] orava ao Senhor Deus de Israel, dizendo:

Meu Senhor, tu que és o único rei, socorre-me, que não tenho outro auxílio fora de ti. O meu perigo está iminente.

Nós pecamos na tua presença, e por isso entregaste-nos nas mãos dos nossos inimigos. Justo és, ó Senhor.

Mas agora não se contentam com oprimir-nos com uma duríssima escravidão, senão que pretendem transtornar as tuas promessas, destruir a tua herança, fechar a boca dos que te louvam e extinguir a glória do teu templo e do teu altar.

Não entregues, Senhor, o teu cetro àqueles que não são nada, para que não escarneçam da nossa ruína; mas volta contra eles os seus desígnios. Lembra-te de nós, Senhor, e mostra-nos a tua face no tempo da nossa tribulação.

Dá-me força, Senhor, rei dos deuses e de todas as potestades. Livra-nos com a tua mão e socorre-me, que não tenho outro auxílio senão a ti, Senhor, que conheces todas as coisas; sabes que aborreço a glória dos iníquos.

Deus forte sobre todos, ouve a voz daqueles que não têm outra esperança e livra-nos da mão dos iníquos; livra-me a mim do meu temor.


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