Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 482 | página 06-07

(continuação)

Essa dupla finalidade foi perfeitamente captada pelo público ocidental, que a ela quis associar-se maciçamente, como o testemunham os mais de cinco milhões de adesões colhidas em 100 dias de campanha. Daí o fato de um dos maiores abaixo-assinados da História ter sido também o maior gesto de solidariedade coletiva da História com uma nação oprimida pelo comunismo. E as TFPs não podem senão agradecer a Nossa Senhora a honra de terem sido o veículo dessa ardorosa solidariedade.


PARA LEMBRAR

Há um ano, previsto esmagamento dos anticomunistas na URSS

“A vitória desse gigantesco Descontentamento [contra o regime comunista no mundo soviético] ainda não é indiscutível. Pois ninguém pode garantir que o esmagamento da rebelião, realizado com tanto êxito na Praça da Paz Celestial (!) em Pequim, e repetido nestes últimos dias com êxito ao menos aparente, na cidade de Baku, capital do Azerbaidjão, não possa reeditar-se ainda várias vezes em outros focos de Descontentamento” (Plinio Corrêa de Oliveira, em Manifesto Comunismo e anticomunismo na orla da última década deste milênio, "Folha de S. Paulo", 14/2/1990).

Justa censura à indiferença do Ocidente

“Nós achamos que a 'abertura' momentânea é de curta duração... Debalde o Ocidente procura, por motivos egoístas, prolongar a nossa escravidão. Por que não quer o Ocidente livre nos reconhecer esse direito à liberdade?... Os católicos no Ocidente se tornaram semelhantes aos protestantes, e não são mais aqueles que lutaram contra Hitler... É um sintoma de bancarrota espiritual”, disse o sacerdote lituano, Cônego AIfonsos Svarinskas, em entrevista á revista alemã “Der Fels” Julho-agosto 1989). O Con. Svarinskas foi condenado em 1983 a 10 anos de prisão e internado num campo de concentração na Sibéria. Libertado em 1988, esteve com a delegação das TFPs, em dezembro último, na Catedral de Kaunas.

Cegueira – 1

“O nosso lema deve ser: acreditemos na palavra de Gorbachev” –– Hans Dietrich Genscher, Ministro das Relações Exteriores da Alemanha Ocidental, discurso em Davos, Suíça, 1-2-1987.

Cegueira – 2

"No momento reconhecemos apenas a URSS" –– Jacques Delors, Ministro das Relações Exteriores da França, em entrevista coletiva à imprensa durante visita a Moscou (20-7-1990), referindo-se ao pedido de apoio das nações submetidas aos soviéticos, que reclamam sua independência.


Em prol da Lituânia livre, TFPs empreendem vitoriosa cruzada

Plinio Corrêa de Oliveira

O estandarte da TFP, que foi alçado na Praça Vermelha pelos membros da Comissão lnter-TFPs, é colocado em lugar de honra após ter sido apresentado ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, o qual ressaltou, na ocasião, seu alto significado simbólico

Quando as tensões existentes entre a União Soviética e a Lituânia, em março do ano passado, se agravaram a ponto de conduzir a uma situação claramente conflitiva, poder-se-ia perguntar qual o alcance da agressão soviética, então levada a cabo. E a resposta seria: nenhum. Porque já anteriormente houvera conflitos sérios em outras regiões da URSS, como, por exemplo, no Azerbaidjão e na Geórgia, as quais sofreram brutal repressão por parte do Kremlin.

São nações pequenas que, como toda etnia têm, de si, um natural direito à própria independência. Desejavam escapar da colonização e também das fauces de um regime que lhes era imposto de fora para dentro, sem raízes no pensamento, na História e nas tradições nacionais. Regime, ademais, causador da espantosa miséria que a todas afligia.

Nada mais simpático, portanto, do que a causa da independência dessas pequenas nações. E o mundo presenciou desagradado a intervenção soviética em todas aquelas regiões. Apesar disso, entretanto, a repressão se consumou e a bota soviética continua até hoje a exercer sobre tais nações sua pressão humilhante.

Quando se deu a intervenção soviética na Lituânia, talvez se pensasse que ocorreria o mesmo que naquelas outras regiões, por serem análogas as circunstâncias.

Contudo, dá-se um fato diametralmente oposto: o mundo inteiro se interessa a fundo pela situação criada naquela nação báltica, apesar de a mídia não ter feito nenhum empenho especial em levantar contra o governo soviético a opinião pública.

Mas as TFPs e Bureaux-TFP, existentes em 20 países, souberam sentir a indignação espontânea, natural, autêntica, da opinião mundial, não suscitada artificialmente pela mídia como por mais ninguém.

Isso as TFPs o captaram a tal ponto, que ousaram um passo enorme: a promoção de um abaixo-assinado, que, se alcançasse um resultado pequeno, seria nocivo à própria Lituânia.

Daí resultou um efeito colossal. Por que razão o caso lituano levantou tanto mais os ânimos do que os outros casos análogos? Resposta: porque se deu num momento em que seu clamor se somava ao outro clamor tão emudecido que parecia morto, mas que vivia na memória de todo! –– isto é, o clamor das nações anteriormente esmagadas.

–– “Agora mais uma? Depois mais duas? Mais três nações?! Nações às quais nos vinculam laços como o da comum pertencença à civilização ocidental, que reconhece o direito de cada povo a viver sua própria vida? Como não se indignar vendo agora tais nações trucidadas pela brutal agressão soviética?"

Veio de tudo isso o desejo de dizer um basta a Moscou. Desejo que merecidamente ganhou muito em força de impacto, quando a admirável resistência lituana se foi desdobrando em atos de fé e de valentia, que tem deixado assombrado o mundo vil e utilitário de nossos dias. Desejo esse que desfechou na realização do monumental abaixo-assinado promovido pelas TFPs, que reuniu 5,2 milhões de assinaturas em 26 países.

Todo mundo sentiu que se tratava de uma mensagem para dizer ao Kremlin: “Desta vez, saiba que há no Ocidente quem brade: Pare! Pare porque isto nós não queremos mais presenciar de braços cruzados!” Isto explica a solidariedade de todos os signatários em relação à Lituânia".

Página seguinte