Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 47 | página 06-07

VERBA TUA MANENT IN AETERNUM

O "ESPIRITO TÉCNICO" É SUPERFICIAL E UNILATERAL

PIO XII: Os homens impregnados do "espírito técnico" dificilmente encontram a calma, serenidade e recolhimento requeridos para se poder reconhecer o caminho que leva ao Filho de Deus feito homem. Eles chegarão, pelo contrário, a denegrir o Criador e sua obra, declarando construção defeituosa a natureza humana, se a capacidade de ação do cérebro e dos outros órgãos, necessariamente limitada, impedir a realização de cálculos e projetos tecnológicos.

São ainda menos aptos para compreender e estimular os altíssimos mistérios da vida e da economia divina, como o mistério do Natal, em que a união do Verbo Eterno com, a natureza humana põe em jogo realidades e grandezas bem diferentes das consideradas pela técnica. O pensamento deles segue outros caminhos e outros métodos, dominado pela sugestão unilateral do "espírito técnico" que não reconhece, nem aprecia como realidades, senão o que se pode expressar com relações numéricas e cálculos utilitários. Julgam assim decompor a realidade nos seus elementos, mas tal conhecimento não passa da superfície e somente se move numa direção.

É evidente que o homem, adotando o método técnico como único instrumento de investigação da verdade, deve renunciar a penetrar, por exemplo, as profundas realidades da vida orgânica e, mais ainda, as da vida espiritual, as realidades vivas do indivíduo e da sociedade humana, por não poderem decompor-se em relações quantitativas. De espírito assim conformado, como se poderá pretender assentimento e admiração diante das imponentes realidades a que fomos elevados por Jesus Cristo, mediante sua Encarnação e Redenção, sua Revelação e sua Graça? — (Rádio-mensagem do Natal de 1953).

"MULTIPLICARÃO MESTRES SEGUNDO SEUS DESEJOS"

PIO XII: Surgiu recentemente em alguns lugares e começou a propagar-se muito a chamada "teologia leiga"; introduziu-se também a categoria especial dos "teólogos leigos", que se dizem independentes; há lições, publicações, círculos, cátedras e professores desta teologia. Constituem estes um magistério à parte, e opõem-no em certo modo ao Magistério público da Igreja; por vezes, para justificar seu proceder, apelam para os carismas de ensinar e interpretar, de que se fala várias vezes no Novo Testamento, sobretudo nas epístolas de São Paulo (por exemplo Rom. 12, 6-7; 1 Cor. 12, 28-30); e apelam também para a história, que, desde o princípio do Cristianismo até nosso tempo, apresenta tantos nomes de leigos que ensinaram a verdade de Cristo para bem das almas, com escritos e de viva voz, mas sem chamamento dos Bispos, nem licença do Magistério sagrado, levados apenas por moção interna e pelo zelo apostólico. Contra tais idéias deve-se professar o seguinte: nunca houve, não há, nem haverá na Igreja qualquer magistério legítimo dos leigos, que não tenha sido submetido por Deus à autoridade, direção e vigilância do Magistério sagrado; mais, só o negar tal sujeição já é argumento decisivo e sinal seguro de que os leigos que assim falam e procedem não são movidos pelo Espírito de Deus e de Cristo. Além disso, não se pode deixar de reconhecer o grande perigo de perturbação e de erro que existe nesta "teologia leiga"; e perigo também de começarem a ensinar pessoas completamente ineptas e até sub-reptícias e enganadoras, que São Paulo assim descreve (2 Tim. 4, 3-4): "Virá tempo em que... multiplicarão para si mestres conforme os seus desejos, pelo prurido de ouvir. E afastarão os ouvidos da verdade, e os aplicarão às fábulas". — (Discurso aos Cardeais e Bispos por ocasião da Canonização de S. Pio X, de 31-V-1954).

OPINIÃO FALSÍSSIMA E ALTAMENTE PERNICIOSA SOBRE A SAGRADA VIRGINDADE

PIO XII: Parece-Nos também de conveniência mencionar aqui brevemente o erro dos que, para afastar os jovens dos Seminários e as jovens dos Institutos religiosos, se esforçam por gravar em suas inteligências a idéia de que hoje a Igreja tem mais necessidade do auxílio e do testemunho de vida cristã dos casados que vivem no século misturados com os demais, do que de Sacerdotes e virgens consagradas, que pelo voto de castidade se separam de certo modo da sociedade humana. Semelhante opinião, Veneráveis Irmãos, é, sob todos os aspectos, falsíssima e muito perniciosa.

Certamente não é Nosso propósito, dizer que os esposos católicos, dando exemplo de vida cristã onde quer que vivam e em quaisquer circunstâncias em que se encontrem, não possam produzir abundantes e salutares frutos com o exemplo da sua virtude. Mas quem, por esta razão, aconselha a preferir o matrimônio à vida consagrada totalmente a Deus, sem dúvida inverte e transforma a reta ordem das coisas. Em verdade, Veneráveis Irmãos, desejamos muitíssimo que se ensine convenientemente aos que contraíram matrimônio ou pensem em contraí-lo, o grave dever que recai sobre eles, não só de educar bem e diligentemente os filhos que têm ou terão, mas também de ajudar aos demais, conforme suas possibilidades, com o testemunho de sua fé e o exemplo de sua virtude, Entretanto, de acordo com o que exige a consciência do Nosso dever, não podemos senão condenar em absoluto a todos os que trabalham para afastar os jovens do ingresso no Seminário ou nas Ordens e Congregações Religiosas, e da emissão dos santos votos, e lhes dêem a entender que, sendo pais ou mães de família e professando publicamente à vista de todos uma vida cristã, poderão alcançar fruto espiritual maior. Melhor e mais corretamente agiriam tais pessoas exortando os casados com o máximo empenho possível a cooperar com suas aptidões nas obras do apostolado secular, do que trabalhando para distanciar da virgindade os jovens, desgraçadamente não muito numerosos hoje em dia, que desejam consagrar-se ao serviço divino. A este propósito escreve muito bem Santa Ambrósio ("De Virginitate", c. 5, n, 26; P. L. XVI, 272): "Sempre foi próprio da graça sacerdotal deitar a semente da castidade e excitar o amor da virgindade". — (Encíclica "De Sacra Virginitate", de 25-III-1954).

ABORRECER A ESCOLÁSTICA, SINTOMA DE MODERNISMO

S. PIO X: Quer o façam (os modernistas) por ignorância, quer por temor, quer mais provavelmente por um e outro motivo, o certo é que a mania da novidade neles se acha aliada com o ódio à escolástica; e não há sinal mais manifesto de que começa alguém a volver-se para o modernismo, do que começar a aborrecer a escolástica. Lembrem-se os modernistas e os seus fautores da condenação que Pio IX infligiu a esta proposição (Syll, prop. 13): "O método e os princípios com que os antigos doutores escolásticos trataram a teologia não mais condizem com as necessidades dos nossos tempos e com os progressos da ciência". — (Encíclica "Pascendi Dominici Gregis", de 8-IX-1907).


CORRESPONDÊNCIA

Do Exmo. Revmo. Mons. Frei Cesario de Colognola, O. F. M. Cap., DD. Administrador Apostólico do Alto Solimões (Est. do Amazonas): "Acabo de saborear a doutrina do mensário CATOLICISMO que um missionário me ofereceu. Desejo muito possuir a coleção, ou ao menos a assinatura do combativo paladino de nossa santa Religião. Sou pobre Prelado, mas estou disposto a fazer sacrifício pelo jornal. Agradecendo antecipadamente, envio uma larga benção com o augúrio de que CATOLICISMO penetre em todos os rincões brasileiros".

Do Revmo. Pe. Afonso Di Giorgio, Vigário da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, de Belém (Est. do Pará): "Aceite os meus mais sinceros e entusiásticos parabéns por defender contra toda a corrente de irenismo e de concessões, o verdadeiro espírito da Igreja de Cristo".

Do Revmo. Pe. João Alberto, C. M., de Fortaleza (Est. do Ceará): "Merece (CATOLICISMO) o apoio de todas as pessoas de bem.

...O meu tempo é pouco, mas faço questão de ler CATOLICISMO do começo até o fim".

Do Revmo. Pe. Nicolau Baltasar, Vigário de Castro (Est. do Paraná): "Seria escusado até, dizer que a apresentação externa, bem como o coração, isto é, o fundo doutrinário de CATOLICISMO convidam qualquer estudioso dos problemas católicos a ler e a propagar tão importante mentor das consciências católicas".

Do Revmo. Frei Basilio, O.F.M. Cap., de Salvador (Est. da Bahia): "...o excelente jornal CATOLICISMO... continuarei com satisfação o trabalho de propagá-lo".

Do Revdo. Frater Geraldo Majella do Couto, S.C.J., do Collegium Internationale Leo Dehon, de Roma (Itália): “... meus parabéns e sinceros encômios pela atualidade e boa aceitação desse mensário. Fui sempre leitor assíduo do CATOLICISMO, desde seu aparecimento. Não só leitor, mas também admirador de sua clareza em orientar, de sua franqueza e objetividade em dizer a verdade sem rebuços, de sua intrepidez em vituperar os erros, analisando-os à luz da fé e da lógica. Este é o mensário que merece o apoio e o auxilio espiritual e material de quem é verdadeiro católico".

Do Revdo. Frater Augusto Cesar Pereira, S.C.J., do Seminário Maior de Brusque (Est. de Sta. Catarina): "No meu pensar, CATOLICISMO é um jornal ideal, embora às vezes com opiniões certas, sem dúvida, mas com que nem todos concordam".

Do Seminarista Jahir Britto de Souza, do Seminário Central de Salvador (Est. da Baia): "Como grande apreciador desse jornal, e reconhecendo sua grande utilidade, procuro propagá-lo (coisa que julgo dever)".

Da Revda. Irmã Maria Stella da Eucaristia, C.D., do Carmelo da Sagrada Família, de Pouso Alegre (Est. de Minas): "...rezarei de modo especial, pelo completo êxito e difusão de CATOLICISMO... faço votos de que CATOLICISMO continue sua missão, levando por toda a parte, principalmente aos lares, a luz da Verdade, o senso católico dos problemas atuais".

Dos Clérigos Capuchinhos de Curitiba (Est. do Paraná): "CATOLICISMO muito nos agradou; cada um de nós lê artigo por artigo as folhas desse bem impresso jornal... Há entre nós verdadeiros entusiasmos por CATOLICISMO".

Do Sr. Antonino Horacio de Souza, de Anápolis (Est. de Goiás): "Posso assegurar que CATOLICISMO terá boa e pronta aceitação nesta localidade, pois é, sem favor algum, um jornal de grande alcance cultural, social, cientifico e religioso".


AMBIENTES, COSTUMES, CIVILIZAÇÕES

Tensão e distensão no semblante de um Santo

Plinio Corrêa de Oliveira

Nos jardins do Vaticano, o Papa S. Pio X acolhe visitantes distintos, que lhe apresentam suas homenagens. O corpo do Papa, ereto e vigoroso apesar dos anos, dá uma impressão de ascese e firmeza, mas alguma coisa em sua pessoa, e sobretudo a fisionomia desanuviada, exprime repouso e distensão. É que o Santo está passeando em instantes de lazer. O sorriso afável, quase carinhoso, o gesto do braço que se estende, da mão que se abre, exprimem uma colhida franca e paternal. Em todos os circunstantes nota-se o efeito da presença do Pontífice: muito respeito, que não exclui uma suave e natural alegria. O lazer de um Santo nunca é porém esquecimento de seus deveres. Note-se quanto o olhar com que o Pontífice considera o visitante que o cumprimenta, é atento e penetrante. São Pio X era excelente psicólogo, e várias das pessoas que com ele falavam tinham a impressão de que lia nos seus corações.

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Consideremos o segundo clichê. O olhar diz tudo. Firme, sereno, lúcido, parece perscrutar com impressionante nitidez, com dor, mas com coragem um horizonte muito fundo, carregado de nuvens pesadas. Tem-se a impressão de que em sua alma se passa o mesmo que na de um capitão, atônito com o vulto da tormenta que se apresenta, mas disposto a prosseguir intrepidamente na rota traçada. Esta resolução do Papa Santo se nota aliás em todo o seu ser: ainda aqui, corpo ereto e forte dá uma viva impressão de robustez, apesar da idade.

Quão grande é o fardo das preocupações, di-lo a cabeça, um pouco pendente, o corpo quase imperceptivelmente arqueado. O Papa parece atingir o ápice do seu Calvário. Tem a alma amargurada com os pecados do mundo, e vê ao longe os castigos que se acumulam no horizonte. É a guerra mundial que se aproxima, com seu cortejo de desastres materiais e morais, e as ruínas políticas, sociais, econômicas e principalmente religiosas do pós-guerra. Mas todo o seu estado de espírito é de quem conserva uma grande paz interior: ecce in pace amaritudo mea amarissima...