Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 451 | página 16-17
| IN MEMORIAM |

Falece antigo diretor de "Catolicismo"

FALECEU no dia 24 de junho último, em São Paulo, o antigo diretor de "Catolicismo", vice superintendente da Diretoria Administrativa e Financeira Nacional da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade — TFP Dr. José Carlos Castilho de Andrade.

O extinto, de tradicional família paulista, nasceu naquela cidade em 1925, tendo feio o curso secundário no Colégio São Bento e se formado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde colou grau em 1948.

Dedicou-se, logo após a formatura, à advocacia, em cujo exercício, até sua morte, demonstrou relevantes qualidades. Como advogado, caracterizou-se sobretudo peja rara lucidez e precisão de seus serviços jurídicos, tendo exercido a profissão inicialmente no Departamento Jurídico da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC).

Posteriormente, desenvolveu suas atividades jurídicas no Departamento de Patrimônio da empresa Light, Após a nacionalização desta, continuou a desempenhar o mesmo tipo de funções na Eletropaulo.

Quando aluno do Colégio São Bento, ingressou na Juventude Estudantil Católica (JEC), destacando-se desde logo como um de seus líderes.

Foi diretor da secretaria da Junta Arquidiocesana da Ação Católica, quando ainda estudante universitário.

Em seguida, passou a trabalhar no seminário "Legionário", então órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo, onde exerceu por vários anos o cargo de secretário de redação.

Desde a fundação de "Catolicismo", em 1951, o Dr. José Carlos Castilho de Andrade exerceu, na prática — e com assinalada competência — , o cargo de diretor de nossa publicação, embora seu nome tenha figurado, nessa qualidade, no expediente dela somente nos anos de 1974 e 1975. A atual direção e corpo redatorial de "Catolicismo" rendem aqui um preito à memória daquele que foi, desde os primórdios deste mensário até o momento em que assumiu importante encargo na estrutura administrativa da TFP, a coluna-mestra de nosso mensário sob o aspecto jornalístico e de organização.

Foi diretor vice superintendente da Diretoria Administrativa e Financeira Nacional da TFP, função na qual se destacou por sua competência e dedicação.

O Dr. José Carlos Castilho de Andrade morreu confortado por todos os sacramentos da Igreja, tendo seu falecimento causado entre sócios, cooperadores e correspondentes da associação — em cujo ambiente era muito estimado — profundo pesar.

O corpo do falecido foi velado na sede do Conselho Nacional da TFP, donde partiu o impressionante cortejo fúnebre rumo ao cemitério da Consolação. O caixão foi carregado em todo o trajeto por sócios e cooperadores da associação, tendo sido acompanhado por centenas deles envergando capas. Os estandartes rubros e a fanfarra da In' causaram também profunda impressão no público que assistiu à passagem do féretro.

Ao pé do túmulo foram entoados vários cânticos acompanhados pela fanfarra. E antes do sepultamento, em nome dos sócios e cooperadores da entidade, usou da palavra o Dr. Plinio Vidigal Xavier da Silveira, o qual enalteceu as qualidades eximias do saudoso diretor da TFP.


| AUTODEMOLIÇÃO |

Sim, de chinelos e de bermudas

A NOTÍCIA de que Frei Hennínio Zaminhani, de Barrinha (SP) — cidade próxima a Ribeirão Preto — , promove suas reuniões apresentando-se de chinelos e bermudas causou algum espanto a várias pessoas com as quais comentei o fato. Explica-se que essa estranheza não tenha sido maior, porque, oh tristeza! hoje em dia as aberrações já deixaram de ser raras.

De qualquer modo, para quem acredita em Deus, na sua Igreja, nos seus Mandamentos, tal tipo de notícia leva a lamentar que se tenha chegado até lá. Pois, como pode ser que religiosos deem, por sua indumentária, ou por suas atitudes, o mau exemplo destruidor dos bons costumes? Nada terão eles encontrado na doutrina cristã, a respeito do mal que há em desedificar o próximo e mesmo escandalizá-lo?

Conta-se, por exemplo, de São Francisco de Assis que ele percorreu, acompanhado de um discípulo, as ruas de uma cidade italiana. Terminado o trajeto, perguntou-lhe o companheiro cheio de curiosidade: Pai, e o sermão que deveríamos pregar? Respondeu-lhe o Santo, imperturbável: o sermão está feito, nossa presença foi um verdadeiro sermão. Podemos imaginar, a respeito desse fato, o bom exemplo dado pelos dois homens de Deus, revestidos de seus trajes talares, demonstrando austeridade. Assim, a vida dos santos é repleta de lições edificantes. Infelizmente, tudo isso vem sendo posto de lado há um bom tempo.

O segredo pelo qual a Igreja conseguiu, no transcurso dos séculos, converter até mesmo pessoas das mais empedernidas, e nações inteiras de bárbaros, estendendo ao mundo todo sua benfazeja ação, estava no fato de haver homens de grande virtude, voltados para a glória de Deus e a salvação das almas e não para aquilo que nos Evangelhos é denominado "o mundo". Esses homens conseguiam o inimaginável, ao contrário de quantos em nossos dias que, buscando adaptar-se ao que chamam de progresso — é o "progressismo" em marcha — afinal concorrem para o neopaganismo dos costumes, provocando o afastamento da Religião por parte de muitos.

Edson Siqueira


| TFP's EM AÇÃO |

Saúde: um acordo inaceitável prenuncia a ruína da medicina brasileira

A seção primeira do Capítulo II do Título VIII do atual Projeto de Constituição foi dominada, desde o início, por uma forte tendência socialista. Já no primeiro anteprojeto da Subcomissão de Saúde estavam presentes todos os elementos para uma total estatização da medicina no Brasil:

1)

a proclamação do princípio de que a saúde é dever — predominante — do Estado, e não do indivíduo;

2)

a defesa do princípio de que todos os homens têm direito ao acesso igualitário a todas as ações e serviços de saúde;

3)

atribuição ao Estado da função de controle e execução das ações e serviços de saúde;

4)

restrição da liberdade do exercício da medicina privada apenas à prestação de serviços ao Estado, mediante contrato de direito público;

5)

a criação de uma gigantesca estrutura (Sistema Único de Saúde), para se ocupar de todas as atribuições relativas à saúde no País;

6)

o direito do Estado de intervir ou mesmo desapropriar hospitais particulares.

Isto produziu, no início, uma forte reação nos meios médicos em todo o Brasil, que foi capitaneada pelas associações de hospitais, mais especialmente pela Associação Brasileira de Hospitais (ABH), pela Federação Brasileira de Hospitais (FBH) e pelos Sindicatos dos Hospitais em cada Estado.

A atuação da Comissão de Estudos Médicos da TFP também se fez notar neste panorama. Ela elaborou um primeiro parecer, tendo em vista o anteprojeto encaminhado pela referida Subcomissão à Comissão competente, isto é, a da Ordem Social, e o entregou no dia 9 de junho de 1987 ao Deputado Edme Tavares, Presidente dessa Comissão.

A Comissão de Ordem Social retirou de seu projeto a cláusula que permitia a desapropriação dos hospitais, mas conservou todos os demais dispositivos estatizantes propostos pela Subcomissão de Saúde.

Enquanto a Comissão de Sistematização preparava o seu Projeto definitivo, a TFP lançou uma grande campanha pelos jornais brasileiros. O manifesto de página inteira publicado em primeira mão pela "Folha de S. Paulo", em 10 de julho de 1987, alertava os Constituintes e a Nação para os riscos da estatização da medicina no Brasil. O referido manifesto foi publicado por doze jornais, em nove Estados da Federação. Poucas foram, entretanto, as modificações feitas pela Comissão de Sistematização. Resultou daí um projeto inaceitável para todos os que desejam um Brasil livre das malhas do socialismo e da estatização.

Foi então com esperança que a TFP — assim como a opinião pública, de modo geral — assistiu o surgimento do "Centrão", que aglutinou os elementos da "maioria silenciosa" na Assembleia Nacional Constituinte, desejosos de opor barreiras ao caos e à maré montante do socialismo, através da poli módica Reforma: Agrária, Urbana, Empresarial, da Saúde e do Ensino.

Com o passar dos dias se verificou, entretanto, que o "Centrão" foi deixando de corresponder às expectativas. A emenda coletiva, por ele apresentada, não expurgou — o quanto seria necessário — a tendência socializante do Projeto da Comissão de Sistematização. Tudo indica que os líderes do "Centrão", ao redigirem sua emenda coletiva, tiveram como meta cortar os radicalismos mais socializantes, conservando, contudo, os pontos fundamentais do Projeto da Comissão de Sistematização. Esta conduta teve certamente como objetivo angariar votos da esquerda moderada.

Tal conduta do "Centrão", ao que parece, também norteou os acordos que precederam as votações do Plenário, em maio deste ano.

O resultado foi a obtenção de uma "vitória de Pirro", por parte da iniciativa privada: um grande fracasso com aparência de vitória.

Assim, o projeto de Constituição aprovado pelo Plenário, no que se refere à Saúde, embora admita, de certo modo, a existência da Medicina Particular, proclama todos os princípios que, a prazo maior ou menor, acabarão por aniquilá-la completamente. Tais princípios são: a máxima de que a Saúde é dever (unicamente) do Estado; e a meta de que o Estado brasileiro deve proporcionar a todos os cidadãos atendimento médico igualitário.

Ora, a aceitação desses princípios acabará fazendo com que a lei ordinária vá estrangulando progressivamente a medicina particular.

Por outro lado, decorre dos acordos feitos pelo "Centrão" que o Poder Público, não só em escala federal, mas também, nos âmbitos estadual e municipal, ficará com o controle da saúde e da doença em nosso País; controle este que será exercido conforme o Partido que estiver dominando. Assim, será muito difícil se conseguir um tratamento médico mais especializado sem a ajuda de "apadrinhamentos", o que constituirá uma grave ameaça aos direitos individuais e ao livre exercício da medicina no Brasil.

Outros aspectos socializantes do Projeto aprovado.

1)

Proibição dos investimentos governamentais na área da medicina privada, o que terá como consequência uma defasagem entre o número de leitos hospitalares disponíveis e as necessidades da população brasileira.

2)

Veda a qualquer capital estrangeiro fazer investimentos na área da saúde. Tal como nos idos de 1950, quando se tornou célebre o slogan "o petróleo é nosso", parece que os Constituintes pretendem lançar, em 1988, uma nova bandeira "a doença é nossa"!

3)

Proibição de qualquer forma de comercialização, na área da Hemoterapia. Ora, há uma larga gama de produtos derivados (albumina, globulina, soro para tipagem dos grupos sanguíneos) que são obtidos com o sangue, através de inúmeras empresas particulares. Como fazer tais exames e tratamentos sem o uso desses produtos? A referida proibição vai obrigar a que muitos brasileiros tenham que se mudar para outros países, para conseguirem tratamento de saúde neste setor.

A Comissão de Estudos Médicos da TFP deseja que, no segundo turno da votação, alguns dispositivos possam ser corrigidos. E pretende mesmo mostrar aos Srs. Constituintes a necessidade de alterar ou retirar dispositivos estatizantes, já aprovados no primeiro turno.

Antonio Lara Duca


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