Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 448 | página 06-07
| SANTO SUDÁRIO |(continuação)

a imagem fornecida pelo VP 8 aparece extremamente deformada.

De imediato, tal descoberta mostrou que a figura estampada no Sudário o foi porque ela correspondia a um objeto tridimensional, e não em razão do contato direto com esse objeto, pois a claridade das áreas que não tocaram diretamente o pano varia em função da distância entre elas e o tecido. Assim, cada ponto desse "objeto tridimensional" deveria ter atuado como foco da radiação (luz e/ou calor) que causou a imagem (cfr. John Jackson e outros, "The Three dimensional image on Jesus'burial cloth", na obra de Stevenson e Habernas, citada ao final, na bibliografia).

Evidentemente, trata-se aqui de mais uma prova da autenticidade do Sudário, pois se nem uma fotografia comum possui caracteres tridimensionais, muito menos os apresentariam uma pintura. A análise detalhada da imagem tridimensional mostrou também sinais de um lenço ou atadura que teria sido colocada em torno da cabeça; e sobre os olhos pequenos "botões" que seriam, na realidade, moedas depositadas sobre aqueles para mantê-los fechados, o que corresponderia ao modo pelo qual os judeus sepultavam seus mortos, há 2.000 anos atrás (John Jackson, op. cit.).

A equipe de cientistas norte-americanos, reunida em 1978, numa sala do Palácio Real de Turim para estudar o Santo Sudário, sob a presidência de John Jackson. Atrás de Jackson está a mesa de testes especialmente construída para facilitar os estudos.

Recomposição do "flagrum" romano usado na flagelação de Nosso Senhor. As pontas, constituídas por duas esferas de chumbo ligadas mediante uma pequena trava, ou por pequenos ossos, arrancavam de cada vez pedaços de carne. A flagelação imposta pelos romanos muitas vezes matava o condenado.

Fotografia tridimensional da Santa Face de Nosso Senhor obtida através do VP 8. Esse aparelho traduz em relevo as diferenças de claridade, salientando portanto qualquer marca que haja no tecido: dobras, trama dos fios, pó, manchas de água etc. O que atrapalha em algo a visão do Rosto do Redentor.

Conclusões da pesquisa

A equipe de 40 cientistas do STURP preparou durante um ano a série de testes e análises que realizariam em outubro de 1978, logo após o término da exposição da relíquia em Turim.

Durante cinco dias, 120 horas a fio, junto à preciosa relíquia, sem parar um instante, eles se levantaram, com a ajuda de equipamentos altamente sofisticados, o material necessário para estudos mais aprofundados a serem realizados depois. A descrição dos testes realizados em Turim, e depois as 150 mil horas de trabalho ao longo de três anos, envolvendo disciplinas como ótica, matemática, física, química, biologia e medicina, exigiria mais do que um livro.

Exporemos a seguir, de modo apenas esquemático, as conclusões últimas dessa que foi a maior pesquisa científica até hoje realizada com o Santo Sudário.

– A imagem não é obra de nenhum artista ou falsificador;

– de cor amarelo-palha, a imagem é o resultado da "chamuscadura" superficial das fibrilas do tecido;

– a imagem apresenta caráter tridimensional, o que significa ter sido ela formada pelo Corpo que estava envolto no Sudário;

– que tal Corpo não pesava no tecido, portanto não estava sujeito à lei da gravidade;

– e que todo ele era foco da radiação, que marcou o tecido;

– foi encontrado sangue humano no tecido e restos de terra na planta dos pés, comprovando que o Homem do Sudário andou descalço pouco antes de ser crucificado;

– enfim, não foi observado absolutamente nada que pudesse contradizer em algo as narrativas dos Santos Evangelhos.

A imagem é a de um Homem que foi flagelado, coroado de espinhos, o qual carregou sua cruz, foi esbofeteado violentamente, caiu sobre os joelhos, cuja Face tocou a terra; que foi crucificado, morreu na Cruz, teve o lado direito aberto por um golpe de lança, foi envolto no Sudário, o qual não apresenta nem sinais de decomposição do corpo, nem marcas de que este tenha sido removido.

* * *

Os cientistas se propunham uma grande indagação: como se formou a imagem, qual foi esse misterioso processo, o que aconteceu? E depois de todas essas pesquisas, tiveram que reconhecer: não sabemos.

Mas o que a ciência não consegue esclarecer, a Fé o pode: Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou. "Ele ressuscitou como o dissera. Aleluia (...). O Senhor verdadeiramente ressuscitou. Aleluia!" (Antífona da oração Regina Caeli).

Benoit Yves Michael Bemelmans

Bibliografia — Dr. JOHN HELLER, "O Sudário de Turim", J. O. Editora, Rio de Janeiro, 2º edição, 1986. — STEVENSON E HABERMAS, "A verdade sobre o Sudário", Edições Paulinas, São Paulo, 1983. IAN WILSON, "O Santo Sudário", Ed. Melhoramentos, São Paulo, 1979. — "Procedings of the 1987 U.S. conferente of research on the groud of Turim", Holy Shroud Guild 1977, 3rd printing, New York, 1979. LAMBERTO SCHIATTI, "Le Saint Suaire", Edizioni Paoline, Torino, 1978. — J. L. CARRENO, "Es el Seflor", Salesian Missions, New York, 1980. — P. BARBET, "A paixão de Cristo segundo o cirurgião", Ed. Loyola, São Paulo, 1976.


| SEMANA SANTA NO CENTRO DA CRISTANDADE |

Semana Santa em Roma

ROMA — O peregrino que chega a Roma na Semana Santa, talvez não consiga reconstituir a Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor com a mesma realidade de quem percorre, na Terra Santa, os próprios lugares que os sagrados pés do Salvador percorreram em sua vida mortal. Mas esta Roma Eterna, centro e fonte do catolicismo, e que esteve até 1870 sob o cuidado paternal dos Papas, reúne vestígios, lugares sagrados e relíquias insignes que, em esplendorosos lugares apalaciados, convidam nesses dias o viajante à oração com grande força evocativa.

Com razão a língua portuguesa conservou a palavra romaria (derivada do nome desta cidade), como sinônimo de peregrinação por antonomásia. Romeiros eram todos os peregrinos que se dirigiam a Roma, ou a Santiago de Compostela, ou aos Lugares Santos. Pois o arquétipo de cidade para ser visitada em peregrinação era a histórica capital do Lácio, da qual foi Bispo São Pedro, a Pedra sobre a qual Jesus Cristo edificou sua Igreja.

São João de Latrão

Na Quinta-Feira Santa, tentando sobrepor-me à agitação, ao corre-corre e ao desdém pelo sagrado, nesta Itália neopaganizada, na qual já não são feriados os dias da Paixão, aproximei-me de São João de Latrão, lugar de visita obrigatória, para todo o bom católico, nessa data da instituição da Sagrada Eucaristia. É a catedral de Roma, e por consequência, como diz um título de seu frontispício, a Mater et Caput Ecclesiarum (Mãe e Cabeça de todas as igrejas). O Bispo que aí tem sua Cátedra é o próprio Papa.

Estivéramos muitas vezes naquela basílica, mas agora não quisemos nos deterem apreciar sua beleza arquitetônica, seu batistério célebre, sua grandeza. Atraia-nos o Altar do Santíssimo Sacramento. Está ali, para ser venerada, a própria tábua da mesa da Última Ceia, sobre a qual Nosso Senhor tomou o pão "em suas santas e veneráveis mãos" e pronunciou as palavras da Consagração. Sobre essa Mesa bendita instituiu o Sacramento da Eucaristia, seu próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Precisamente na Quinta-Feira Santa. Junto a tal Mesa lavou os pés dos Apóstolos. Com especial amor e vontade de convertê-lo, lavou os pés do Apóstolo traidor. Junto a mesma Mesa, o Apóstolo amado, São João — a quem está dedicada esta igreja — ouviu as palpitações, ou melhor dizendo a celestial harmonia do Sagrado Coração. Quantos pensamentos, quantas páginas sagradas de tantos Padres e Doutores nasceram a propósito desta Mesa!

A poucos passos, no belíssimo claustro interior da basílica, transportada da Terra Santa, está a construção de pedra do poço junto ao qual a samaritana encontrou Nosso Senhor. Vinha buscar água. Nosso Senhor falou-lhe de uma água que Ele daria a beber e depois da qual ela não teria novamente sede. Nestas palavras à samaritana reconhece-se, de modo prefigurativo, novamente a Eucaristia.

Scala Santa e Santa Praxedes

Na Sexta-Feira Santa, dirigi-me a uma pequena igreja que fica a poucos metros de São João de Latrão: a Scala Santa. É a escada de mármore que fora do pretório de Pilatos, trazida de Jerusalém a Roma por Santa Helena, mãe do imperador Constantino, no ano 329. Nosso Senhor subiu e desceu esses 28 degraus várias vezes no dia de sua infame condenação. Quem a sobe devotamente nas sextas-feiras da Quaresma, e na Sexta-Feira Santa, alcança uma indulgência plenária. Os patamares estão protegidos do desgaste por uma cobertura de madeira de "nogal". No entanto, pelas faces

verticais dos degraus pode-se tocar no mármore. Em vários pontos, um cristal colocado em círculo na madeira deixa ver no mármore os locais marcados pelo Sangue infinitamente precioso do Justo.

Os fiéis, de joelhos, a sobem rezando, ou meditando a Paixão. Do alto dessa escada, Pilatos apresentou Jesus ao populacho judeu que pediu Sua Crucifixão. Hoje em dia, a Escada Santa nos leva à Sancta Sanctorum. Assim se chama a antiga capela particular dos Romanos Pontífices, que estava repleta de insignes relíquias.

Ainda se conserva ali um quadro de Nosso Senhor chamado o "Cristo Aquiropita". Aquiropita quer dizer em grego "não pintado por mão". Com efeito, narra a tradição que, iniciado por São Lucas, o quadro foi terminado por um Anjo. Na parte superior da Sancta Sanctorum, uma inscrição em latim diz: "Não há um lugar mais santo em todo o orbe". Ali rezavam os primeiros sucessores de São Pedro.

Deixamos atrás a Scala Santa, a praça de São João de Latrão e tomamos a ampla Via

Página seguinte