Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 448 | página 04-05
| SANTO SUDÁRIO |(continuação)

infligidos a Nosso Senhor ao longo de sua Paixão: a terrível flagelação, a cruel coroação de espinhos, as marcas deixadas pelo carregamento da cruz ao longo da Via Dolorosa e pela Crucifixão, por meio de pregos nos pulsos e nos pés, o golpe de lança que lhe abriu o sagrado lado e o sangue e a água que dele manaram.

Mais ainda do que esses sinais, pungentes testemunhas das dores, a fotografia mostrou a majestosa serenidade da Sagrada Face: é o sublime retrato do Salvador como nenhum artista jamais conseguiu pintar tão expressivamente.

Tal descoberta foi o ponto de partida das pesquisas científicas e constituiu ademais para numerosos incrédulos uma prova evidente da autenticidade do Sudário. Que artista teria sido capaz de pintar em negativo uma imagem que, uma vez revelada, mostrava tal riqueza, tanto nos detalhes quanto na expressão?

* * *

Muitos cientistas e médicos a partir de então puderam estudar com mais precisão as marcas deixadas pela Paixão do Senhor no Sudário. Entre todos, convém ressaltar os estudos feitos pelo Dr. P. Barbet, eminente cirurgião francês, que procedeu a inúmeras análises e experiências, e cujo trabalho tornou-se básico. Os dados que a seguir referimos foram estabelecidos por ele (ver também o quadro sobre os sofrimentos de Nosso Senhor), e confirmados depois por diversos outros estudos. Recomendamos a nossos leitores o livro (citado ao final, na bibliografia) desse grande católico, que, durante vinte anos estudou, à luz da anatomia, os sofrimentos terríveis de nosso Redentor.

P. Barbet estabeleceu, entre outras coisas, que a anatomia do Homem do Sudário corresponde com toda a precisão à realidade da anatomia humana. Tanto do ponto de vista fisiológico quanto patológico, a representação das feridas está correta. O polegar não aparece na imagem, pois em virtude da Crucifixão o prego perfurando o pulso toca no nervo mediano e provoca a contração do polegar para o interior da palma da mão. Essas descobertas, e outras, foram comprovadas por Barbet com experiências realizadas em cadáveres.

Na Sexta-Feira Santa, antes do pôr-do-sol, Nosso Divino Salvador fora colocado no túmulo. (Embaixo) No domingo pela manhã, os Apóstolos encontraram o Santo Sudário colocado no chão. Um ligeiro relevo na altura da cabeça deixa entrever o pano que fora amarrado como atadura em torno da cabeça; ninguém o tocou. Nosso Senhor, com seu Corpo glorioso, ressuscitara.

Ele demonstrou também que Nosso Senhor morreu por asfixia, devido à posição peculiar do crucificado que, pendurado pelos braços, fica impedido de respirar. Para poder fazê-lo, o condenado era obrigado a apoiar-se sobre as feridas dos pés e das mãos, com sofrimentos inenarráveis; logo em seguida, o corpo recaia. Enquanto tivesse força para aguentar esse levanta-abaixa tremendo, o condenado vivia, depois sobrevinha a asfixia e a morte. Barbet demonstrou igualmente que a ferida da lança foi aberta após a morte de Nosso Senhor, conforme o relato dos Evangelhos (Jo. 29, 31-34). A lança penetrou entre a quinta e a sexta costelas e furou até a aurícula direita do coração, que estava repleta de sangue, único local que o continha logo após a morte. A água provinha da cavidade pleural e do pericárdio.


O mapa do Sudário

I — Imagem de frente e de costas

Remendos e queimaduras causadas pelo incêndio de 1532.

Marcas devidas à água utilizada para apagar o fogo.

Dupla imagem, dorsal e frontal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Marcas oriundas dos golpes da flagelação.

Na fronte, na cabeça, e na nuca manchas de sangue ocasionadas pela coroa de espinhos.

Chaga do prego no pulso esquerdo.

Manchas de sangue nos antebraços, o qual escorreu das chagas dos pulsos durante a agonia na cruz.

Grande mancha de sangue no lado. Duplo escoamento: o primeiro, em posição vertical, quando Nosso Senhor ainda estava na Cruz; o segundo, horizontal, o sangue chegou a escorrer até as costas, durante a descida e transporte do Corpo.

Sangue da transfixação dos pés; a perna esquerda ficou ligeiramente contraída, e os pés superpostos na rigidez cadavérica.

Contusões provocadas pelo transporte da Cruz.

II — A Sagrada Face

Equimoses devido a uma queda, acrescidas de tumefação ocasionada por um golpe.

Tumefação da maçã direita.

Tumefações da maçã do rosto, do lábio superior e do queixo, todas produzidas provavelmente por quedas e espancamentos.

Sangue emanado das feridas da coroação de espinhos.

Entumecimento da região da sobrancelha esquerda.

Nariz deformado por causa da fratura da cartilagem que se descolou do osso por causa de um violento golpe de bastão.


Alguns dos sofrimentos de Nosso Senhor estampados no Santo Sudário

* Cinquenta perfurações na fronte, na testa e na nuca foram produzidas pela Coroa de espinhos. Galhos espinhosos muito duros foram grosseiramente trançados, amarrados sobre a cabeça por um punhado de juncos torcidos, e fincados por violentos golpes de porrete.

* A divina Face está inchada pelas contusões devido às bofetadas, aos socos, aos golpes de bastões e às quedas; o nariz está fraturado: a cartilagem se descolou do osso (o qual não se quebrou); a fronte está contundida; a sobrancelha esquerda, o lábio superior e as maçãs do rosto estão tumefatos.

* No Corpo martirizado de Nosso Divino Redentor podem contar-se pelo menos 120 golpes de açoite.

* Os flageladores eram dois, um de cada lado. Nosso Senhor estava amarrado a uma coluna e foi flagelado no Corpo inteiro.

* O flagelo romano era composto de duas ou três correias de couro que terminavam em pequenos ossos de pontas agudas ou em pequenas travas de chumbo com duas bolas nas extremidades.

* O ombro direito e a omoplata esquerda estão machucados pelo peso da Cruz (*), que rolando e esfregando-se na carne viva, durante a subida ao Calvário, reabriu, afundou e alargou as feridas da flagelação, até constituir uma só chaga sangrenta.

(*) Segundo os estudos feitos por médicos desde Barbet em 1933 até hoje, e confirmados pelos estudos científicos de 1978 realizados pela equipe norte-americana, os condenados à cruz eram obrigados a carregar não a cruz inteira, mas a trave transversal, ou "patibulum". Esta era encaixada na parte vertical, ou "stipes", que ficava já fixada no local das execuções. Isso veio confirmar as afirmações feitas por arqueólogos e exegetas de que Nosso Senhor carregou o "patibulum", a parte transversal, cujo peso foi avaliado em 50 kg. aproximadamente.

* o peito muito saliente denota a terrível asfixia suportada durante as três horas de agonia, e que acabou causando a morte.

* As feridas dos cravos estão nos pulsos e não nas palmas das mãos.

* Ao perfurar o pulso, o prego secciona em parte o nervo mediano, causando dores que normalmente fariam desmaiar a vítima, e contrai o polegar para o interior da palma da mão.

* Os dois joelhos estão chagados devido às quedas durante a subida do Calvário.

* Um só prego foi suficiente para fixar os pés sobre o madeiro da Cruz; os joelhos foram levemente dobrados, o pé direito aplicado sobre a Cruz e o esquerdo sobre ele.

* O golpe de lança produziu no sagrado lado uma larga ferida que ficou aberta, pois Nosso Senhor já estava morto. Dela manou sangue em abundância, vindo da aurícula direita do Coração e água da cavidade pleural.


Uma característica assombrosa: a tridimensionalidade

Dentre todas as pesquisas científicas realizadas com base no Sudário, convém relatar aqui algumas das mais impressionantes. Em 1977, vários cientistas norte-americanos formaram um grupo de investigação, sob a denominação de Projeto de Pesquisa do Sudário de Turim (STURP).

Sua primeira grande descoberta foi feita por dois oficiais da Força Aérea dos Estados Unidos, John Jacson e Eric Jumper, ambos físicos. Baseando-se em fotografias do Sudário, descobriram eles que a claridade da figura está relacionada com a distância entre o corpo e o tecido. Ou seja, áreas como o nariz ou a testa, que tocaram no pano, aparecem mais escuras, enquanto outras como as partes laterais do rosto e a cavidade ocular aparecem mais claras. Essa relação de distância entre o corpo e o tecido podia ser descrita com precisão matemática. Ora, isso é simplesmente impossível de ser realizado em qualquer fotografia comum, pois nem as lentes nem os papéis fotográficos modernos têm sensibilidade suficiente para registrar as variações mínimas na luz emitida por algum objeto, de modo a poder ser avaliada a distância entre o filme e o dito objeto. Os cientistas apenas conseguem reconstituir uma imagem tridimensional, a partir de fotos de planetas longínquos, pois nesse caso a distância enorme influência, em proporção mensurável, a intensidade da luz recebida. Jackson e Jumper empregaram então um aparelho científico chamado VP 8, usado na análise de fotografias de planetas e estrelas. Colocaram nele uma simples fotografia do Sudário e qual não foi seu maravilhamento ao ver aparecer na tela, sem distorção, uma imagem tridimensional da Sagrada Face de Nosso Senhor. Com qualquer fotografia comum,

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