CAPITULAÇÃO SUICIDA EM VIENA
Péricles Capanema
Chamberlain continua o símbolo das concessões imprudentes. Em 1938, o ex-primeiro-ministro inglês, munido de seu inseparável guarda-chuva, assinou com Hitler em Munique os vergonhosos tratados, na tola esperança de apaziguar o ditador e evitar a eclosão da II Guerra Mundial. Chamberlain e Munique passaram assim para a História como símbolos do pacifismo entreguista. Naquela ocasião, Churchill, então simples deputado conservador, com o brilho de sua legendária eloquência fustigou o ato do chefe do governo inglês em memorável discurso na Câmara dos Comuns, afirmando: "Teríeis a escolher entre a vergonha e a guerra; escolhestes a vergonha e tereis a guerra". Pouco depois, as tropas do Führer invadiam a Polônia e a conflagração se estendia pela Europa inteira. A imprevidência havia deixado o nazismo armar-se até os dentes e só à custa de inauditos sacrifícios foi possível jugulá-lo. A 20 de junho de 1979, Carter descia no aeroporto de Viena onze horas antes de seu colega soviético, para assinar o II Tratado para Limitação de Armas Estratégicas (SALT II). Chovia torrencialmente, mas o Presidente americano impediu que os guarda-chuvas fossem abertos. Razão? Temia que eles tornassem a analogia com Chamberlain próxima demais. O Senador Jackson, adversário destacado das conversações SALT II, havia comparado a cerimônia de Viena com os tratados assinados há quarenta anos por Hitler e Chamberlain. No ar, sentia-se o odor de Munique.
Passo fatídico da política de "distensão"
A assinatura desse tratado situa-se na lógica da política exterior iniciada por Nixon, continuada por Ford e levada ao seu extremo por Carter. A distensão kissingeriana, amoral e suicida, tornou possíveis as recentes catástrofes do sul da África, da Ásia e do Oriente Médio. Produziu depois — encarada a situação do ponto de vista do equilíbrio entre os dois supergrandes — um horizonte plúmbeo, de onde nos pode chegar, a qualquer momento, voando nas asas da chantagem, a notícia da superioridade militar soviética. Abalizadas autoridades americanas já lançam angustiosas palavras de advertência...
"Argumentandi gratia", admitamos o equilíbrio relativo, a "equivalência essencial" como constante do texto do tratado. Fica de pé a questão: quem verificará o cumprimento das cláusulas acordadas entre os dois supergrandes? Reiteradamente tem afirmado a Rússia que não permitirá a verificação "in loco". A incumbência cai, portanto, nos ombros dos serviços de inteligência norte-americanos. Entretanto, o Secretário de Estado Cyrus Vance, em depoimento prestado em 20 de outubro de 1977 ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara de Representantes, afirmou: "Precisamos estar conscientes de que há certas áreas onde não somos capazes de verificar [o cumprimento do tratado]" ("Battle Line" — órgão da "American Conservative Union", maio de 1979, vol. XIII). Ou seja, admite-se como razoável, para certas áreas de incidência do tratado, algo que nenhum homem lúcido poderia aceitar: a presunção de que os russos ficarão impedidos de violá-lo por fidelidade à palavra dada.
O chanceler do Kaiser Guilherme II, Bethmann-Hollweg, já antes da I Guerra Mundial, na "Belle Epoque", qualificava os tratados de meros "farrapos de papel". O que dizer da palavra dada por comunistas, os quais, por doutrina, negam a existência de uma moral objetiva e a definem como aquilo que é conforme ao interesse do partido? Chegamos ao absurdo de fundar a credibilidade de um tratado na assinatura de um homem gravemente enfermo, cuja concepção filosófica e política admite como mero preconceito burguês o respeito à palavra dada.
Colocada no espírito esta primeira constatação, realmente desconcertante, fluem dela, naturalmente, outras considerações. A meta da "détente" sempre foi apresentada à opinião pública mundial como a tentativa de se estabelecer a paridade entre as duas superpotências, alegado fator dissuasivo da guerra. Teoria, aliás, bastante discutível nos dias em que vivemos. Na própria Europa dos séculos passados, ainda exalando os perfumes da civilização cristã, e com antagonismos de ordem filosófica e religiosa tão menos intensos do que em nossos dias, tal teoria do equilíbrio internacional pouco impediu as guerras. Transplantar linearmente esta visualização diplomática para o tenso e dividido século XX, com as nações perseguindo ideais políticos e sociais conflitantes, nos quais o próprio tipo humano apresentado como modelo é radicalmente oposto, configura um anacronismo difícil de se compreender. Diante de um imperialismo ideológico e político comandado por líderes resolutos e hábeis, a melhor maneira de ter nas mãos a chave da paz é dispor de uma superioridade militar incontrastável — objetivo inteiramente dentro das possibilidades da economia norte-americana, de seus recursos científicos e de suas potencialidades naturais. Mas os soviéticos sabem que esta posição sensata já não predomina em Washington, onde a ânsia do apaziguamento superou a consciência da necessidade da precaução razoável. Sabem que enquanto durar no Ocidente a insânia capitulacionista, poderão levar de vencida a corrida armamentista, à qual não renunciam, apesar dos gemidos inconformados de utópicos pacifistas do Ocidente. O combalido Tio Sam hoje se debate primordialmente com os desgastantes problemas da energia e da inflação.
O sobressalto norte-americano
Há 10 anos a superioridade militar de Washington era esmagadora. A distensão retirou do público a ideia clara, muito comum anteriormente, de que era preciso manter tal superioridade custasse o que custasse. Afinal de contas, pensava-se nos círculos picados pela mosca kissingeriana, o comunismo deixava de ser um movimento ideológico imperialista. As nações subjugadas pelo comunismo abandonavam, segundo tal ilusão, a defesa global dos interesses comunistas e passavam a reger-se quase exclusivamente por seus interesses nacionais. Transformavam-se em parceiros pragmáticos do mundo livre, desejosos de melhorar o padrão de vida popular e aderir à sociedade de consumo.
Dez anos depois, apresenta-se o fato espantoso: a Rússia não mudou, acelerou seu programa armamentista, aproveitou-se de todas as concessões e, segundo alguns, já dispõe de superioridade militar.
Diante desse quadro, um calafrio percorre vastos setores responsáveis nos Estados Unidos. O país precisa fazer frente ao maior perigo de sua história.
No Senado, onde o tratado está sendo objeto de discussões, que prenunciam, pelo menos, uma difícil ratificação, os oponentes do mesmo já se articularam e iniciam vigorosa ofensiva, secundada por grandes organizações e personalidades influentes.
Paul H. Nitze, uma das maiores autoridades mundiais em armamentos estratégicos, ex-negociador do tratado SALT, hoje ferrenho opositor do SALT II, afirmou que no meio da década de oitenta será tal a desproporção, que a assim chamada "first strike capability" (a capacidade de atacar primeiro, impedindo virtualmente a retaliação) — que a política de equilíbrio tentava evitar — estará nas mãos dos russos. Este primeiro ataque destruiria a maior parte dos arsenais atômicos americanos. O eventual contra-ataque atingiria a Rússia e deixaria a população norte-americana à mercê da segunda chuva de bombas soviéticas (Paul H. Nitze, "Current Salt II Negotiating Posture", Comittee on the Present Danger, 20/ 3/ 78, in "An Analyses of Salt II", 1979)
Muitos analistas militares já duvidam hoje da vitória americana, em caso de conflito. Dentro de alguns anos, mantidas as velocidades do armamentismo de Moscou e Washington, a derrota americana seria certa.
Em Viena, a diplomacia soviética, ciosa do valor das ações simbólicas, discretamente deu a entender que no confronto dos supergrandes a Rússia já tem um passo de vantagem. Algumas atitudes sugeriam esta situação. Brejnev se fez esperar por Carter, seja na chegada, que se deu onze horas depois do seu colega americano, seja no primeiro encontro, onde Carter o esperou cinco minutos. Na apresentação de gala na Ópera de Viena, o chefe soviético também chegou depois e saiu antes.
Há nos Estados Unidos funda apreensão diante da perspectiva apocalíptica de se estar à mercê de um poder despótico e desconhecedor de qualquer Direito. Uma grande frente nacional de grupos e pessoas preocupadas com a situação calamitosa na qual se entra, interpretando os sentimentos de milhões de seus compatriotas, movimenta-se para barrar a aprovação do documento suicida. No caso de tal reação galvanizar a cansada e sonolenta população, poder-se-ia esperar uma maior energia no trato do crucial problema da sobrevivência dos Estados Unidos, enquanto nação livre e líder do mundo não comunista.
Os soviéticos temem a rejeição?
É necessário distinguir. Se a rejeição for provocada por enérgica e estável repulsa do público norte-americano ao poderio russo em crescimento acelerado, certamente eles a temem. Pois, sendo sua economia fraca e parasitária, não poderão vencer a corrida com uma força militar que funda seu poderio nas riquezas dos superdesenvolvidos Estados Unidos. E uma repulsa séria norte-americana poderia atravessar o Atlântico e galvanizar os países da Europa Ocidental, engajando-os no mesmo programa, destinado a barrar eficazmente as perspectivas, já esboçadas, da tomada do poder pelos comunistas, através de um ultimatum.
Caso o Senado rejeite o tratado, mas o sentimento de repulsa popular ao mesmo for débil, não parece que os russos tenham muito a perder. Pois eles não diminuirão a marcha de sua corrida armamentista e, do lado americano, a votação das vultosas verbas necessárias para a modernização e aumento dos instrumentos de defesa dos Estados Unidos ficam sempre na dependência parcial da boa-vontade de legisladores pacifistas ou temerosos do corte de alguns serviços sociais que, segundo se crê, lhes rendem significativos dividendos eleitorais.
Qual das hipóteses é mais provável? O governo americano desenvolve ingentes esforços para conseguir a ratificação do tratado. Todo seu prestígio e capacidade de convencer certamente influirão de modo possante na decisão final de dezenas de senadores. Kissinger, crê-se, trabalhará por sua ratificação, pois afinal de contas, foi o iniciador dessas negociações. Na área naturalmente mais propensa à rejeição, a bancada republicana, o ex-Secretário de Estado dispõe de maior influência, que será um trunfo não negligenciável a ser utilizado pelos promotores do acordo. Vista a situação como se apresenta neste momento — princípios de julho — haverá possivelmente os sessenta e sete senadores necessários para a ratificação. Vinte já se declararam contra. Muitos estão hesitantes, censurando acremente as concessões antecipadas e gratuitas de Carter. Um exemplo é a suspensão do superbombardeiro B-1, que o presidente determinou, esperando uma compensação por parte do regime de Moscou — que não veio, como era de se esperar.
Décadas de otimismo
Os historiadores do futuro certamente analisarão, numa visão de conjunto, os presidentes norte-americanos de Roosevelt a Carter, para destacar um traço saliente que possuíram em comum: o sorriso desprevenido, símbolo de uma mentalidade, antessala da derrota amarga. O sorriso de Roosevelt em Yalta, acreditando nas boas intenções daquele lobo das estepes que foi Stalin, possibilitou a entrega ao comunismo da Europa Oriental e vasta porção da Ásia. O sorriso de Kennedy, o otimismo acadêmico de Kissinger, o riso sem peias do atual chefe de Estado estadunidense continuaram sua obra. A incrível convicção de que a mera demonstração de boa vontade e de concessões amigáveis desarma o adversário e o predispõe ao diálogo profícuo ocasionou a grave dificuldade atual na qual se emaranha o Ocidente. O Cremlin aproveitou todos estes anos para, com determinação paciente e inexorável, alcançar os Estados Unidos em recursos militares e pôr em xeque a segurança do mundo livre.
Curiosamente, tem-se acentuado a idade avançada da atual equipe política russa, depreciativamente chamada de gerontocracia. Entretanto, ninguém até hoje, ao que consta, imputou-lhe indecisão e pusilanimidade.
A cúpula política americana, por outro lado, faz questão de se apresentar jovial. Carter pula, corre, sorri sempre. Mas, na verdade, o grupo dirigente de Washington é continuamente apresentado como pusilânime e indeciso. A velhice está em Moscou, os estigmas dela, em Washington...
No Evangelho, o Divino Mestre ensinou que ao par de possuir a candura da pomba, deveríamos ser prudentes como as serpentes. Foi o que esqueceu grande parte dos políticos norte-americanos. E Carter, que não oculta suas concepções de pastor batista, evidentemente não aplica tal conselho evangélico na condução da política exterior norte-americana.
A mudança de tom
Quando Carter venceu as eleições presidenciais, um sopro de otimismo percorreu amplos setores da nação ianque. O presidente, considerado então por muitos um idealista, não transigiria com os russos, seria enérgico na defesa dos direitos humanos, abandonaria a linguagem capitulacionista do desgastado Kissinger e defenderia com vigor os interesses americanos. Três anos depois, feito um balanço objetivo, Kissinger já pode se dar ao luxo de advertir contra concessões frente ao perigo russo, pois suas posições entreguistas, em contraste com as atuais, até parecem sensatas...
Nos Estados Unidos, o tônus geral é de abatimento. A recriminação ainda não se generalizou, mas um silêncio pesado envolve o país. No fundo das consciências, não dos precavidos, mas de grandes parcelas da opinião pública, brota, ainda tímida, a pergunta: "O que fizemos do nosso poderio? Será nossa sina escolher sempre entre a destruição ou a capitulação?"
Um país assolado por crises, debatendo-se em dificuldades econômicas renitentes, percorrido por ondas de desânimo, deformado por décadas de otimismo insensato, terá que responder à apocalíptica pergunta: "Resistir ou capitular?"
Na assinatura do SALT II os melhores segmentos da sociedade americana colocaram-se diante do dilema e optaram pela resistência. Obterão o consenso da maioria da população? Trava-se ali, a propósito da ratificação desse importante tratado pelo Senado, uma contenda que envolve a sorte do Ocidente e, portanto, a nossa.
Com um beijo... Carter e Brejnev celebram a assinatura do tratado sobre armas estratégicas, em Viena. O que virá depois?
DEPUTADO NORTE-AMERICANO DENUNCIA AMEAÇA AO OCIDENTE
No ato inaugural da nova sede nacional da Foundation for a Christian Civilization, em Bedford, Nova York, no dia 2 de junho, discursaram, além de diretores da Fundação e da TFP norte-americana, o coronel da reserva Raymond S. Sleeper, diretor da Fundação Educacional do Conselho Americano de Segurança, e o deputado pela Califórnia Robert Dornan, de cujo discurso destacamos a seguir os principais tópicos.
Ao chegar aqui, tive dificuldade em me convencer de que não estava na Inglaterra do século XVI ou XVII... Pode-se esperar que São Tomás Morus ou São João Fisher apareçam, entrando por uma dessas magníficas portas para nos transmitir uma linda mensagem sobre o nascimento do que será uma grande instituição acadêmica e uma grande fundação que farão nossa civilização voltar às glórias que ela teve quando Nosso Senhor Jesus Cristo era o centro das atividades humanas.
Tenho aproveitado as numerosas viagens pelo mundo — que tenho de fazer em virtude de meus encargos em comissões do Congresso — para visitar todos os grandes santuários que posso. [O orador menciona suas visitas a Lourdes, Fátima, Roma e ao Santo Sudário de Turim].
Essas peregrinações nos dão alento para prosseguir e para confiar na ajuda de Deus e nos recuperam quando tendemos a desanimar. Esse é também o espírito que esta sede e o colégio que irá funcionar aqui comunicam aos jovens felizardos que nele serão educados.
Eu lhes asseguro que; se alguém leva a sério o cargo, ser membro do Congresso norte-americano hoje, é uma das coisas mais arrasadoras, duras e frustrantes que possa haver. Isso é assim, devido à situação verdadeiramente desesperadora em que está nosso mundo. Senhoras e senhores, nós estamos atualmente na mesma, absolutamente na mesma situação em que se encontrava Pompéia pouco antes da erupção do Vesúvio há 1.900 anos atrás. Quem sabe se nós não estamos há apenas uns dois ou três meses de uma grande erupção de um novo Vesúvio? Só que atualmente o Vesúvio não será um vulcão que vai expelir montanhas de fogo e de lava incandescente; não será um fenômeno como o que destruiu totalmente Sodoma e Gomorra — elas foram destruídas por algum fenômeno natural suscitado por Deus, e que até hoje os cientistas ainda não foram capazes de determinar o que foi, apesar de se ter encontrado os restos calcinados dessas cidades aniquiladas no fundo do Mar Morto.
Não, senhoras e senhores, o que nos ameaça não é um Vesúvio em erupção, não são os gases tóxicos e o mar de lava que tomou a população de Pompéia de surpresa, matando-a instantaneamente, na posição em que cada um estava: encontrou-se, por exemplo, os restos de um padeiro que foi morto tentando abrir um forno para tirar de dentro os pães que ele estava assando.
O Vesúvio a que eu me refiro é muito mais terrível. Ele está enterrado nos silos subterrâneos de foguetes, localizados desde a região do Baikal até as fronteiras ocidentais da Rússia e apontados para todas as nossas grandes cidades. Eles são os gigantescos foguetes SS-18.
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Antes de mim falou aqui para os Srs. o coronel Sleeper, advertindo-os precisamente sobre o mesmo perigo. O discurso do coronel foi magnífico e cada palavra do que ele lhes disse é verdadeira. No entanto, há pouco, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mondale, pronunciou perto daqui um discurso de formatura em 180 graus oposto ao que o coronel e eu estamos lhes dizendo. Esse é um dos grandes problemas deste país: não se quer enfrentar a dura realidade. E toda a imprensa evita analisar a realidade para o público. E é devido a essa situação que numerosos militares, como o brilhante coronel que lhes falou hoje à noite, estão enfrentando a dura tarefa de tentar informar o público sobre a situação militar de nosso país. Mas como enfrentar a atitude desses jovens que se consideram modernos, que ouvem os dados apresentados pelo coronel, dão de ombros, achando que afinal ele está falando coisas estranhas, como guerra, bombardeios atômicos; e, além do mais, é um extremista de direita... Esses jovens por aí, rejeitam ouvir, achando que são puras palavras vazias e prosseguem "discotecando" alegremente rumo à década de 80.
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Porém, estamos aqui diante de um público que é obviamente mais inteligente e preparado que a média da população. Trata-se de um público que veio aqui porque se interessa por nossa juventude, a fim de que ela receba uma educação clássica, porque se interessa pelas artes. Sim, nós estamos aqui na sede de uma instituição educacional que está tentando reviver toda a beleza, toda a precisão de pensamento, a lógica, o raciocínio, que existiram na Cristandade em seu apogeu. Ela tenta formar para a nossa época homens e mulheres prontos para enfrentar todas as situações, como o foram em sua época São Tomás Morus e São João Fisher. No entanto, eu vejo que mesmo esse público selecionado ficou espantado quando o coronel lhes mostrou o que há por baixo da ponta desse iceberg que é o poderio militar comunista. E notem, que nós não estamos senão lhes dando uma visão muito por alto do que é a força maligna do comunismo mundial e do que é o crescimento canceroso das forças soviéticas, que fazem empalidecer Adolf Hitler mesmo em seu momento de maior loucura quando planejou a destruição militar da Europa. Nunca houve uma tão maciça concentração de forças como a construída pela União Soviética nas últimas décadas. Não há nada que se lhe compare na História: Atila, o Huno, Gengis Khan, Napoleão...
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Em minha visita à União Soviética, fiquei impressionado com o verdadeiro culto ao militarismo que lá existe. Toda noite a TV russa apresenta um filme sobre a II Guerra Mundial; exaltando as virtudes militares e o patriotismo... Eles mantém o povo russo numa ignorância incrível do que se passa no mundo exterior. O único conselheiro permitido ao povo é a vodka, que lhes é facilitada em abundância.
Mas os soviéticos não enfrentam problemas sérios de delinqüência juvenil como nós temos [...]; não há na Rússia dois milhões de crianças abandonadas; ou a cifra estarrecedora de um milhão e meio de abortos por ano; ou dois milhões de mães solteiras.
Em suma, tudo é dado à camarilha militar e à comunidade científica dos soviéticos, mas tudo é negado à população. O sistema de transporte russo é quase inexistente, a população não dispõe de serviços públicos de que necessita. Vê-se muita tristeza nas ruas. É uma sociedade monstruosa, que caminha para um desfecho inevitável: ou haverá uma revolução interna que deponha a camarilha dirigente, ou uma confrontação com o Ocidente, se antes os Estados Unidos não desistirem de enfrentá-los.
[...] Os russos aceitarão a guerra, mesmo a nuclear, se a julgarem necessária. [...] Mas eles acham que poderão nos conquistar sem guerra e essa é sua estratégia. Eles acham que nós somos um povo decadente que estamos num avançado estado de putrefação moral. [...]
E, minhas senhoras e meus senhores, como um americano patriota, devo lhes confessar: não é fácil responder a isso. Não é fácil defender a civilização ocidental, hoje em dia, essa mesma Cristandade que declarou a morte de Deus. Nós precisamos voltar a pôr em foco aquilo que fez grande a civilização ocidental. E precisamos ver o mundo com aquela focalização magnífica que a Cristandade nos legou. Nós que somos católicos, precisamos viver novamente aquela Fé belíssima e cheia de majestade que a Igreja nos ensina. Sem isso, não será possível termos os homens e mulheres, os jovens que serão os líderes de nossa pátria. Não importa que os eduquemos bem nas ciências e nas artes; sem essa concepção da grandeza da civilização ocidental eles não serão capazes de professar suas ideias e sua Fé numa situação em que isso significará o martírio.
* * *
Fui apresentado há alguns dias a um Bispo africano, D. Abwin, da Guiné Equatorial. Ele me contou casos de perseguição sangrenta contra os católicos por parte dos comunistas, que pareciam algo saído das catacumbas de Roma no século II. Fiquei horrorizado ao saber que, enquanto nós aqui nos Estados Unidos estamos nos divertindo, fazendo turismo, dançando, gozando a vida, lá na Guiné Equatorial, jovens católicos estavam sendo terrivelmente martirizados pelos comunistas. Sim, os senhores certamente nunca ouviram falar dos direitos humanos de 100 valorosos jovens católicos que foram crucificados num estádio de futebol. Enquanto isso, mais de um milhão de cambodgeanos eram massacrados e continuam a sê-lo, num dos maiores genocídios da História da humanidade. Mas nós não vemos os líderes pacifistas organizando passeatas para salvar essa gente, nós não ouvimos protestos contra essas abominações e nem mesmo ouvimos sermões tonitruantes sobre isso, ou sobre as centenas de milhares de refugiados vietnamitas que ninguém quer receber, ou sobre os milhares de compatriotas deles que morrem pouco a pouco em campos de concentração. E sobre o Laos? Quem lamenta a situação desse pequeno mas heroico povo? Imaginem que, de uma população de 2,5 milhões de habitantes, 250.000 estão em campos de concentração — essa é provavelmente a maior percentagem de prisioneiros com relação à população, no mundo. E depois ainda há todo o "Arquipélago Gulag" dentro da Rússia [...].
Foi uma grande honra para mim participar desta recepção, num lugar maravilhoso. E ao encerrar, desejo-lhes, do fundo da alma, que Deus esteja com os Srs. E tenham certeza que homens do calibre dos Srs. [da TFP norte-americana] aqui presentes, deixarão uma marca indelével no mundo. Ainda iremos ouvir falar muito desses jovens. E nós que já estamos no ocaso da vida, se sobrevivermos, teremos a grande alegria de ver estes Estados Unidos entrarem no terceiro século de sua existência, que será o melhor século de todos!
Deputado Robert Dornan
Sr. John Spann, presidente da Fundação, por uma Civilização Cristã, com a Sra. Waller, da sociedade local
Sra. Virginia Tatton, benfeitora da Fundação
Os últimos dias de Pompéia
Paulo Silva Meira
A 20 de agosto de 79, o Vesúvio rugiu. Os pássaros do golfo de Nápoles silenciaram, o gado mugiu, os cães uivaram. Pompéia, rica cidade junto à foz do Sarno, continuou sua vida, como também Herculaneum e outras cidades menores ao redor do vulcão.
Pompéia não aprendera a lição. Em 63, violento terremoto a destruíra parcialmente. Em 79, já estava reconstruída.
No dia 24 de agosto, um grande estrondo, e o vulcão vomita com violência torrentes de fumo, enxofre e pedras incandescentes. O céu se obscurece. Rios de lavas cobrem num instante Herculaneum, solidificando-se com uma espessura de 16 metros! Plinio, o Moço, descreve a erupção:
"As cinzas já começavam a cair sobre nós, embora em pequena quantidade; volto a cabeça e vejo atrás de mim uma fumaça espessa que nos persegue, expandindo-se como uma torrente sobre a terra... Não se ouvia senão as lamentações das mulheres, os gemidos das crianças, os gritos dos homens. Um chamava seu pai; outro, seu filho ou sua mulher... Uns imploravam o socorro dos deuses; outros já não acreditavam neles e viam essa noite como a derradeira, como a noite eterna que devia engolir o universo!"
Durante três dias a noite infernal cobriu Pompéia. As cinzas do Vesúvio chegaram até a Síria.
Toda a costa junto ao vulcão foi sepultada e nenhum ser vivo ali permaneceu. Durante séculos, ninguém mais ali voltou a habitar.
Foi só no século XVIII que as escavações arqueológicas revelaram as cenas apocalípticas dos últimos instantes da cidade. Seus habitantes, tomados de surpresa, não tiveram tempo de escapar das nuvens de enxofre que os sufocavam, ou dás pedras que os massacravam. As cinzas modelaram seus corpos, perpetuando o que cada um fazia no momento da tragédia: o povo em festa assistia no teatro a luta de gladiadores. Muitos ali pereceram. Os prisioneiros foram encontrados em horríveis contorções, atados às cadeias. Como também um cão ganindo de dor, preso pela coleira. Uma mulher tenta fugir com sua caixa de joias; o enxofre a faz encrespar e dilacerar a própria carne. Um homem cai de costas, segurando no alto suas moedas de ouro e prata. Nos antros de perdição, os que neles se encontravam não puderam deixá-los. E tudo foi petrificado, para perpetuar aqueles três dias de ira.
Mil e novecentos anos se passaram... Como Pompéia, o mundo não aprendeu a ouvir os rugidos de duas guerras mundiais. Nem mesmo as advertências misericordiosas de Nossa Senhora em Fátima...
Vitimas do Vesúvio no ano 79, encontradas num jardim de Pompéia