Em sua intervenção no colóquio Igreja Católica: para onde vais?, realizado em Roma em 7 de abril de 2018, o Cardeal Walter Brandmüller citou nossa petição como uma das mais evidentes manifestações do consensus fidei fidelium, exercendo papel imunizador para preservar a Igreja do erro.
Com grande dor na alma, devemos constatar que, longe de atender a esse justo pedido do rebanho, o predecessor de Vossa Santidade na Cátedra de Pedro agravou ainda mais a situação. De um lado, pelo abuso de admitir os divorciados civilmente recasados à comunhão eucarística — por meio da nota 351 da Amoris Laetitia e da aprovação pontifícia à interpretação dos bispos da Região Pastoral de Buenos Aires —; de outro, pelas declarações e gestos que legitimaram as uniões civis homossexuais, culminando com as “bênçãos pastorais” autorizadas na Declaração Fiducia Supplicans, de 18 de dezembro de 2023, assinada pelo Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé.
Desde então, a situação continuou ainda a piorar, sobretudo no que diz respeito à aceitação das uniões e relações homossexuais. Multiplicaram-se declarações de altos prelados pedindo uma “atualização” do ensinamento da Igreja e uma mudança do Catecismo nos parágrafos que afirmam que a inclinação homossexual é “objetivamente desordenada”, que os atos homossexuais são “intrinsecamente desordenados” e que a Sagrada Escritura os apresenta como “depravações graves”.
Embora com uma linguagem aparentemente moderada, já há vozes de prelados e teólogos que pedem para “historicizar” as situações, a fim de evitar “preconceitos moralistas”, atualizando a linguagem bimilenar da Igreja e adaptando-a aos tempos atuais. É o que pensam, por exemplo, personalidades como o vice-presidente dos bispos italianos, Dom Francesco Savino2, o arcebispo francês Dom Hervé Giraud3 e o cardeal Jean-Claude
Hollerich, arcebispo de Luxemburgo, que chegou a afirmar que o ensinamento católico sobre a homossexualidade “está errado”, uma vez que sua base sociológica e científica não seria mais válida4.
Da mesma forma, a irmã Jeannine Gramick5 e o padre James Martin6 desejam suprimir a expressão “intrinsecamente desordenados”, propondo fórmulas alternativas que tendem a tornar admissível aquilo que não é admissível nem o pode ser. O Caminho Sinodal Alemão segue na mesma direção, pedindo uma revisão do Catecismo para adaptá-lo às “ciências humanas”, o que equivale a dizer que o mundo moderno tem mais autoridade do que Deus7. Infelizmente, há quem vá ainda mais longe, pedindo não apenas mudanças nas palavras, mas também na própria prática do ensino moral da Igreja. O cardeal Robert W. McElroy, por exemplo, nega que a matéria dos pecados sexuais seja grave, abrindo assim caminho para a legitimação e normalização da impureza8. Afirma também que o “acolhimento radical” dos homossexuais praticantes deve ser inclusive sacramental, ou seja, que viver objetivamente contra o mandamento divino não constituiria obstáculo para receber a absolvição e a Eucaristia9. O cardeal Timothy Radcliffe, depois de afirmar que o ensinamento católico é “são e bom”, dilui-o dizendo que é preciso entendê-lo com “nuances”10 e reiterou indiretamente o que já dissera no Pilling Report, a saber, que as relações homossexuais poderiam ser compreendidas em chave eucarística, como imagem da “doação de Cristo” na comunhão11. O teólogo austríaco padre Ewald Volgger insiste nessa mesma linha ao dizer que as uniões homossexuais são uma imagem da solicitude divina pelos homens, o que justifica que sejam abençoadas12. O teólogo suíço Daniel Bogner vulnera diretamente o sacramento do matrimônio, dizendo que é preciso dar-lhe uma nova compreensão, libertando-o