Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 896 | página 39
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de São Columbano e de São Bento, ao qual sobreviveu apenas alguns meses. Teve, como veremos, relações com vários santos de sua época.

O documento essencial para a história deste santo é o livro intitulado Vida. Ele foi escrito logo depois de sua morte, a pedido de sua irmã, por cinco de seus discípulos: os bispos Cypriano de Goulon, Firmino de Uzes e Vivence, o padre Messiano e o diácono Estêvão. Servem também para ilustrar a sua história, o seu testamento, cartas escritas ou recebidas, Atas dos concílios dos quais participou, tratados e sermões, além de outras obras, principalmente as regras monásticas que ele compôs para os mosteiros que fundou, um para homens (“Ad Monachos”) e outro para mulheres (“Ad Virgines”), e que serviram de base para os mosteiros masculinos e femininos fundados depois. Esses preciosos documentos são indispensáveis para o conhecimento de seu tempo.

Santa Cesira ou Cesária

Cesário nasceu em Châlons-sur-Saône, na Borgonha, entre os anos 470-471. Segundo a tradição, era filho de pais cristãos pertencentes à aristocracia galo-romana. Tinha pelo menos uma irmã, Cesira (ou Cesária), nascida por volta de 465, que se tornaria Superiora do primeiro mosteiro feminino das Gálias fundado por seu irmão, já bispo de Arles.

O historiador Thomas J. Shahan assim se expressou sobre esse mosteiro: “Surpreendeu seus contemporâneos, que o consideravam uma arca de salvação para as mulheres naqueles tempos tempestuosos, e arrancou do Papa Hormisdas um grito de admiração, preservado na carta pela qual, a pedido de Cesário, aprovou e confirmou esta nova obra”2.Quando São Cesário morreu, esse mosteiro contava com 200 freiras.

Santa Cesária sobreviveu ao irmão, que em seu testamento lhe deixou como lembrança especial um grande

manto que ela mesma havia feito para ele (“mantum majorem quem de cannabe fecit”).

No mosteiro de Lérins

Cesário ingressou no clero de sua cidade aos 18 anos aproximadamente, nele permanecendo por volta

de dois anos. Dirigiu-se depois para o mosteiro de Lérins para se fazer monge. Esse mosteiro, fundado e habitado por monges e santos, era importante centro intelectual e comum destino de aristocratas da Gália nos séculos V e VI, tendo dado à Igreja muitos bispos que marcaram o cenário eclesiástico e político da época. Cesário se entregou com ardor juvenil à vida conventual. Excedeu-se de tal maneira na mortificação, que sua saúde se deteriorou. Seu Superior julgou então de bom alvitre enviá-lo a Arles para se recuperar. Além da fama de possuir bons médicos, o bispo local, Dom Eônio, era tio do doente.

Santo Eônio, bispo

Também nativo de Chalons-sur-Saône, Santo Eon (ou Eônio) assumiu a Sé episcopal de Arles no início do ano 485. Situada perto da foz do Rio Ródano e não longe de Marselha, essa cidade era conhecida como “la petite Rome de Gaule” e conservava ainda sua antiga importância na vida social, comercial, e industrial da Gália e do mundo mediterrâneo em geral.

Chegando àquela cidade provavelmente um pouco antes do fim do século V, Cesário conquistou, por suas brilhantes qualidades, a estima e o afeto do tio, que lhe conferiu o diaconato e a ordenação sacerdotal, nomeando-o depois abade de um mosteiro ali existente.

A estima de Santo Eônio por Cesário foi mais longe: sentindo que a morte se aproximava e reconhecendo os méritos de seu sobrinho, exortou o clero e os senhores

Mapa de 1580 de Châlons-sur-Saône, cidade natal de São Cesário.