Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 896 | página 29
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Filho, devia terminar pela glorificação do seu corpo virginal. Pois, como diz ainda o apóstolo, ‘quando... este corpo mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá o que está escrito: a morte foi absorvida na vitória’” (1Cor 15,14).2

“A Mãe de Deus não morreu de doença, por não ter pecado original”

A Assunção de Nossa Senhora aos Céus transcorreu após uma morte suavíssima — semelhante ao adormecer de um leve sono de uma criança —, qualificada pelos Padres da Igreja, por grandes santos e teólogos como a Dormitio Beatae

Mariae Virgine (Dormição da Bem-Aventurada Virgem Maria”). Alguns autores crêem que Ela não teria morrido propriamente, mas que ocorrera um suave “trânsito” da vida terrena para a vida gloriosa e eterna no Céu. Donde a invocação de Nossa Senhora do Trânsito, celebrada no mesmo dia 15 de agosto. Outros, como o grande São Francisco de Sales, defendem a tese que sim, Ela desejou morrer a fim de assemelhar-se mais ao seu Divino Filho, mas não padeceu as dores próprias à separação da alma do corpo, pois isenta de qualquer falta. Tendo adormecido no sono da morte, Ela foi assunta ao Céu, onde foi de imediato recebida gloriosamente e coroada como Rainha dos anjos e dos homens.3

Mas, tendo morrido, seu imaculado corpo não sofreu a corrupção da sepultura. Que filho, se desejasse e pudesse, não faria isso por sua mãe? Que filho não deseja o melhor para ela? Evidentemente, Nosso Senhor Jesus Cristo desejou isso para sua Santíssima Mãe, e podia, pois detém todos os poderes. Assim, pôde suspender as leis naturais relativas ao corpo humano após a morte d’Aquela que foi concebida sem pecado original, escolhida para ser a obra-prima de toda a Criação. Desse modo, Ela não padeceu a decomposição — própria a todos nós, concebidos com o pecado de nossos primeiros pais —, mas A elevou ao mais alto do Céu em corpo e alma. A respeito, assim se expressou um Doutor da Igreja — chamado também como “Doctor Assumptionis” (Doutor da Assunção), devido a seus escritos a respeito — São João Damasceno (675-749): “A Mãe de Deus não morreu de doença, porque ela, por não ter pecado original, não tinha porque receber o castigo da doença. Ela não morreu de velhice, porque não tinha por que envelhecer, já que a ela não lhe chegava o castigo do pecado dos primeiros pais: envelhecer e acabar por fraqueza. Ela morreu de amor. Era tanto o desejo de ir para o Céu onde estava o seu Filho, que este amor a fez morrer”.

A Dormição da Virgem – Hugo van der Goes (1440– 1482). Museu Groeninge,
Bruges, Bélgica.