Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 893 | página 35
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Por esses traços marcantes de sua espiritualidade, Santa Teresinha pode ser considerada como uma santa para a era do Reino de Maria. Há um grande paralelo entre a pequena via e a escravidão a Nossa Senhora ensinada por São Luís Maria Grignion de Montfort, pois ambos os caminhos levam à mesma realidade: a entrega total a Deus por meio da humildade e do amor filial.

Nesse sentido, em suas reflexões, Dr. Plinio enxergava em Santa Teresinha uma santa profética, que anunciava um novo tempo para a Igreja, em que o mundo será restaurado segundo os desígnios divinos. A santa carmelita de Lisieux, com sua confiança absoluta na Providência e seu amor à Virgem Santíssima, prefigurava essa nova ordem espiritual. A sua “chuva de rosas” pode

ser interpretada como um prenúncio de uma nova etapa da humanidade, onde o amor de Deus e a santidade serão, por obra da graça e a rogos de Maria, de maior quilate que nas eras anteriores. Os Apóstolos dos Últimos Tempos — que segundo São Luís Grignion serão, em relação aos santos do passado, como carvalhos ao lado de ervinhas — alcançarão esse grau altíssimo de virtude por serem, em grande parte, almas da Pequena Via, chegando ao extremo da dedicação através do amor e dos pequenos sacrifícios, com base no lema de Santa Teresinha: ‘Para o amor nada é impossível’.”

Essa dimensão profética de sua via espiritual transparece sobretudo no seu oferecimento como vítima do amor misericordioso. O seu fundamento encontra-se numa das passagens mais conhecidas da História de minha alma, no manuscrito B, redigido a pedido de sua irmã Maria, justamente após ela exprimir seu desejo de ser missionária, cruzado, mártir:

“A caridade deu-me a chave de minha vocação. Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diferentes membros, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha um coração e que esse coração era ardente de amor. Compreendi que só o amor fazia agir os membros da Igreja, e que se o amor viesse a se extinguir, os apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os mártires recusariam derramar o sangue. Compreendi que o amor encerra todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e todos os lugares. Numa palavra, ele é eterno. No excesso de minha alegria delirante, exclamei então: Ó Jesus, meu amor, encontrei enfim minha vocação. Minha vocação é o amor. Sim, encontrei [meu] lugar na Igreja. E esse lugar, ó meu Deus, fostes Vós que me destes. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor! Assim serei tudo, assim será realizado o meu sonho.”

“Chuva de rosas”: prenúncio de uma nova etapa da humanidade

Comenta Dr. Plinio: “Ela entendeu que, trabalhando, rezando, agindo para que aumentasse o grau de caridade na Igreja Católica, seria como que uma prodigiosa nascente de vida dentro da Igreja: os profetas seriam fiéis, os doutores seriam lúcidos, os apóstolos seriam infatigáveis, os guerreiros seriam indomáveis, e na Igreja tudo começaria a se mover com renovada intensidade. E, então, ela entendeu que deveria morrer vítima de amor. Vítima pelo amor misericordioso, para que os outros também amassem, de maneira tal que,