Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 869 | página 22-23
| VIDAS DE SANTOS | (continuação)

mãe, Maria – ou Maria Cleofas, como aparece no Evangelho – era irmã ou parente próxima da Santíssima Virgem, o que o fazia parente de Nosso Senhor.

Tiago tinha três irmãos (Mt 13,55), José, Simão e Judas. Esta enumeração certamente obedece à ordem de antiguidade dos mesmos, sendo, portanto, Tiago o irmão mais velho. Eles são chamados “irmãos” de Jesus.

Com relação a essa expressão, o saudoso arcebispo de São Paulo, D. Duarte Leopoldo Silva, explica no seu abalizado livro Concordância dos Santos Evangelho:

“Os judeus davam o nome de irmãos aos parentes mais próximos, como aliás se verifica em diversas passagens da Escritura. Lot é chamado irmão de Abraão, Jacó irmão de Labão, bem que fossem apenas seus sobrinhos. Misael e Elsafam, primos de Oziel, Tobias, primo de Sara, são chamados irmãos entre si. Assim também Tiago, José, Judas e Simão são chamados irmãos de Jesus, sendo apenas seus primos”.

Esse uso, aliás, ainda predominava há pouco em alguns países como a Índia, onde chamam ou chamavam os primos-irmãos simplesmente de irmãos.

Acrescenta o ilustre Prelado, citando o Pe. Fouard: “O termo hebraico [...] habitualmente traduzido por irmão, tem um sentido mais lato, e designa, ora um parentesco remoto (Gn 12,5; 13, 12, Nm 8, 26), ora uma comunidade de raça ou de pátria (Gn 9, 25; Nm 20,14 etc,) ora simples relações de amizade (2,Rs 1,26; 3 Rs 9,13 etc.)”.1

Já alguns hereges antigos, como Helvidio, sustentavam que os “irmãos de Jesus” eram os filhos de São José e da Virgem Maria. Essa opinião tem sido reavivada por hereges modernos, a maioria deles exegetas protestantes, que se baseiam em evangelhos apócrifos. Pelo contrário, nós, católicos, afirmamos que eles eram primos de Nosso Senhor por várias razões, entre as quais a antiguidade da crença na virgindade de Maria Santíssima.

Segundo a Legenda Dourada, de Jacques de Voragine, século XII, “Foi também chamado irmão de Nosso Senhor porque se assemelhava muito bem a Nosso Senhor em corpo, em visão, e nos modos. Foi chamado Tiago, o Justo, pela sua grande santidade [...]. Cantou em Jerusalém a primeira missa que nela foi cantada, e foi seu primeiro bispo”.2

Bispo de Jerusalém

Como afirmado acima, São Tiago Menor foi o primeiro bispo de Jerusalém, que governou por 30 anos. Segundo a tradição, ele conquistou grande autoridade pela austeridade de vida, assídua oração e observância escrupulosa da Lei.

O próprio São Pedro reconhecia essa autoridade, pois após sair da prisão libertado por um anjo, ele se dirigiu à casa de Maria, mãe de João Marcos, e lhes disse: “Contai isto a Tiago e aos irmãos” (At 12, 12-17).

Segundo o site The Catholic Spirit,“Tiago presidiu o Concílio de Jerusalém em 51, e com grande sabedoria e compaixão, argumentou que os convertidos gentios não eram obrigados a seguir as leis alimentares judaicas (At 15, 13-21); devido à sua justiça, ele é também conhecido como Tiago, o Justo. Paulo se encontrou com ele em Jerusalém pelo menos duas vezes, uma no ano 37, depois de ter passado 15 dias com Pedro (Gl 1,18-19), e outra vez em 56, quando conferenciou com Tiago e os outros presbíteros (At 21,18). Paulo o chamou de ‘pilar’ da comunidade, juntamente com Pedro e João (Gl 2,9)”.3

São Paulo deve tê-lo encontrado pouco depois, e reconheceu sua autoridade, mencionando-o em sua visita a Jerusalém antes que todos os outros: Encontrei “Tiago, Cefas, João, considerados como as colunas” da Igreja de então (Gl 2,9).

São Tiago escreveu uma carta aos hebreus convertidos da diáspora, dispersos por vários países. É conhecida como a primeira “Epístola Católica”, da qual nos ocuparemos adiante.

Nosso Senhor com São Tiago Menor e São João – Segundo a Legenda Dourada, de Jacques de Voragine, século XII, “Foi também chamado irmão de Nosso Senhor porque se assemelhava muito bem a Nosso Senhor em corpo, em visão, e nos modos” – Vitral da igreja de São Tiago, em Londres.

Martírio

O historiador judeu Flávio Josefo (37 ou 38 – ca. 100), em sua obra Antiguidades do Judaísmo, es-

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