Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 856 | página 40-41
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que não negou os erros do comunismo, e a China é uma nação oficialmente comunista que em 7 de março de 2022 declarou que sua amizade com a Rússia é “sólida como uma rocha”.

No entanto, mesmo entre os católicos, há quem considere Putin um Kathéchon, um obstáculo à realização da Nova Ordem Mundial, um escudo contra o anticristo que seria o Ocidente, que é a Roma de Pedro. A guerra, diz-se, alargou o estado de emergência da pandemia e isso não pode ser coincidência.

Respondemos que é verdade: a sucessão da guerra à pandemia, com o consequente regime de emergência, não pode ser coincidência, porque o acaso não existe, mas quem segura os fios do universo não é o Big Brother de Orwell, um deus onisciente e onipotente como o deus maligno dos gnósticos. Quem governa o universo e ordena tudo para a glória de Deus é a Providência Divina. Daí vêm os castigos que hoje afligem a humanidade impenitente: epidemias, guerras e amanhã, uma crise econômica planetária. Tudo isso não é preparatório para o advento do anticristo, mas é o cumprimento da profecia de Fátima.

Os bispos ucranianos pediram ao Papa Francisco que consagrasse a Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Aderimos com entusiasmo a este apelo que vem de Kiev sob as bombas.

Nossa esperança

Nenhuma luz de esperança vem de Moscou. Pode uma luz de esperança vir de Kiev?

Em Fátima, Nossa Senhora profetizou a conversão da Rússia, mas a conversão é um regresso às origens e as origens da Rússia remontam à conversão de São Vladimir, Príncipe de Kiev. A Rússia de Kiev foi uma das primeiras nações a entrar no cristianismo medieval, antes de passar pelo domínio dos mongóis e depois dos príncipes moscovitas que assumiram a herança anti-romana de Bizâncio. Uma parte do povo ucraniano manteve a fé católica, e nos concílios de Florença (1439) e de Brest (1595) encontrou o caminho de volta a Roma. Pio XII, na encíclica Orientales omnes Ecclesias, de 23 de dezembro de 1945, exorta os ucranianos a serem perseverantes em sua fidelidade a Roma, porque “quem tiver em conta a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por minha causa a encontrará” (Mt 10, 37ss).

No século V, os godos, os vândalos e os hunos invadiram o Império Romano para compartilhar seus restos mortais. Hoje, Rússia, China, Turquia e o mundo árabe querem apoderar-se do gordo legado do Ocidente, que consideram, como já foi dito, um “doente terminal”.16

Alguém dirá: onde estás, Estilicão, que resististe aos godos? Onde estás, Bonifácio, que defendeste a África dos vândalos? Onde estás, Ézio, que derrotaste os hunos? Onde estais, guerreiros cristãos que pegastes em armas para defender um mundo que estava morrendo?

Respondemos que contra o inimigo atacante temos armas poderosas. Contra a bomba nuclear do pecado, Nossa Senhora colocou a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria nas mãos do Papa, o terço e a devoção dos primeiros sábados do mês em nossas mãos.

Mas, sobretudo, colocou em nossos corações o desejo do triunfo do Imaculado Coração sobre as ruínas do regime de Putin, do regime comunista chinês, dos regimes islâmicos e do Ocidente corrupto. — Só Vós podeis fazer isso; Vós nos pedis uma confiança inabalável de que isso acontecerá, porque Vós o prometestes infalivelmente. É por isso que nossa resistência continua.

Em 29 de Agosto de 1931, a Irmã Lúcia transmitiu uma terrível profecia de Nosso Senhor ao bispo de Leiria. Ela havia recebido a seguinte comunicação íntima: “Não quiseram aceitar o meu pedido. Como o rei da França, eles se arrependerão e a farão, mas será tarde demais. A Rússia terá espalhado seus erros pelo mundo causando guerras e perseguições à Igreja. O Santo Padre terá muito que sofrer”.

Notas: 1. Ver Luigi Cajani, Brunello Mantelli, Uma certa Europa: colaboração com as potências do Eixo 1939-1945, Anaisde Luigi Micheletti Foundation, Brescia 1994. 2. “Libero”, 8 de março de 2021. 3. “Libero”, 2 de março de 2021. 4. “L’Œuvre”, 4 de maio de 1939. 5. Ver Gregory Carleton, The Sexual Revolution in Russia, University of Pittsburgh Press, Pittsburgh 2005. 6. Vera Schmidt, Relatório do Asilo Experimental de Moscou, Androeda, Roma 2016. 7. Julio Loredo “A conversão da Rússia”, TFPNewsletter, Especial Ucrânia, 3 de março de 2022. 8. Roberto de Mattei, 1900-2000. Dois sonhos acontecem: construção, destruição, EdizioniFiducia, Roma 1990. 9. Bruno Maçães, “Vladimir Putin está a preparar-se para a guerra?”, em “New Statesman”, 21 de novembro de 2021. 10. Salviano de Marselha, De Gubernatione Dei, VI, 67-68. 11. Tacitus, Deigine et situ Germanorum (Alemanha), 18-19. 12. Procópio de Cesareia, III, 3.14-15. 13. Santo Agostino, Carta 189 ao Conde Bonifácio, cit. de JakubGrygiel, em “A Igreja ensina que a guerra pode ser justa e necessária”, em “Il Foglio”, 18 de maio de 2016. 14. Documentos de Fátima, editado pelo Padre António Maria Martins S.J., Porto 1976, pp. 218-220. 15. Documentos, cit., P. 464. Referência a Luís XIV, que em 1689 não aceitou o pedido de Jesus, transmitido a ele por Santa Margarida Maria Alacoque, de entronizar solene e publicamente o Sagrado Coração, consagrando-Lhe o seu reinado. * Tradução do original italiano por Hélio Dias Viana. Página seguinte