Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 855 | página 48-49
| AÇÃO CONTRA-REVOLUCIONÁRIA |(continuação)

Washington: marcha contra o aborto

Paulo Roberto Campos

Gigantesca manifestação rumo à abolição da sentença “Roe vs. Wade”, que legalizou o assassinato de inocentes

Realizou-se com grande êxito no dia 21 último a 49ª edição da March for Life, que transcorre anualmente na capital norte-americana para exigir o fim do aborto no país. Centenas de milhares de participantes esperam que a enorme e crescente reação contra a prática abortiva acabará por obter, ainda neste ano, a vitória definitiva contra a criminosa sentença Roe vs. Wade.

Com essa decisão judicial, aprovada em 1973, o número de nascituros executados “legalmente” no ventre materno aumentou exponencialmente nos Estados Unidos, tornando-se o maior holocausto de inocentes de todos os tempos. Alguns pesquisadores falam em aproximadamente 63 milhões de abortos desde aquele ano até o final de 2021.

Steve Daines, senador republicano do estado de Montana, saudando os participantes da Marcha antiaborto, declarou que “é hora de a Suprema Corte permitir que legisladores estaduais e federais representem seus eleitores e protejam os mais vulneráveis entre nós. É hora de nós, como os Estados Unidos da América, uma nação que deveria ser líder no mundo sobre direitos humanos, reconhecer — o que é o tema da Marcha pela Vida deste ano — que a igualdade começa no ventre.”

Os próprios movimentos abortistas, que festejavam tal decisão da Suprema Corte americana, já não têm mais esperanças de conseguir manter essa ignominiosa lei em vigor.

A American Society for the Defense of Tradition, Family and Property (a TFP americana) participa dessa Marcha em Washington desde que foi lançada, com numerosos membros e sua atraente banda de música, com metais, gaitas de foles e tambores. Alguns tefepistas, além de portarem seus estandartes e capas — que dão colorido especial à manifestação e refletem “o charme grandioso da TFP” — , levam uma linda imagem de Nossa Senhora de Fátima, cópia fiel daquela que chorou milagrosamente em Nova Orleans em 1972. Todos esses símbolos chamaram enormemente a atenção dos participantes da March for Life.

John Ritchie, diretor da TFP Student Action, declarou, durante o grandioso evento: “Definitivamente há uma mudança de humor aqui. O impulso e o entusiasmo não estão mais com aqueles que são pró-aborto [...]. Uma derrota do aborto seria incompleta se não tratasse dos efeitos devastadores da revolução sexual [...]. O único caminho a seguir é um retorno à ordem”.

Os membros da TFP levaram uma faixa com os dizeres: “Uma América post-Roe deve rejeitar toda a revolução sexual. A América deve se voltar para Deus e promover uma cultura de pureza.” Eles também distribuíram largamente um folheto que, entre muitas afirmações importantes em defesa dos valores morais não negociáveis, declara: “Não podemos descansar até que todos os 50 estados estejam livres desse flagelo moral [o aborto] que mancha a honra da nação”.

Provando que “o aborto provocado é intrinsecamente mau”, a TFP afirmou ainda que se deve lutar não apenas contra o aborto, mas também contra os “pecados de impureza […], a revolução sexual dos anos 60 […], deve-se defender e elogiar o casamento verdadeiro — a união indissolúvel entre um homem e uma mulher com exclusão de todos os outros tipos de ‘uniões’” [propaladas pela agenda LGBT].

Nem as baixas temperaturas esfriaram o entusiasmo da multidão que lotou as ruas durante a gigantesca Marcha-protesto contra o massacre de inocentes. Alguns analistas políticos observaram que o número de jovens contrários ao aborto e defensores da família tradicional cresce a cada ano na March for Life; muitos deles levaram bandeiras e cartazes com expressões muito apropriadas contra o pecado do aborto.

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Ao concluir este artigo, uma pergunta me vem à mente: por que a grande mídia nacional é tão fechada para noticiar esse tipo de manifestação? Não é possível que tão monumental Marcha pela Vida tenha passado despercebida, uma vez que conta com vários repórteres na capital norte-americana. Mesmo correndo o risco de ser qualificada de discriminatória, tal mídia prefere fechar seus ouvidos para o “grito silencioso” dos bebês executados.

Fosse uma manifestação de um punhadinho de gente do movimento abortista — que bem poderia se chamar Marcha pela Morte — ela certamente noticiaria em primeira página com grandes fotos, e as TVs focalizariam com destaque em horário nobre.


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