vância regressaram ao mosteiro de Santa Luzia, em Nápoles. Foi para lá que o Santo se retirou, por 12 anos, até o fim de seus dias, para edificação de seus irmãos de hábito.
Possuindo a virtude da fé no grau mais elevado, dela provinha, como de uma fonte, um grande zelo para instruir os ignorantes nos mistérios da religião, a força, o fervor e a prodigiosa claridade com as quais expunha os sublimes dogmas da Trindade e da Encarnação, da predestinação e da graça. Ele possuía também o dom de acalmar as apreensões e apaziguar as dúvidas relativas à fé. O mesmo espírito de caridade que o fazia tomar sobre si as doenças dos outros, levava-o também a se encarregar de suas penas espirituais.
“Estou na bem-aventurança”
A sexta-feira, 5 de março, era um dia ainda desocupado no calendário litúrgico, como se propositadamente tivesse sido deixado para ele. Com efeito, nesse dia do ano de 1734, São João José da Cruz faleceu, aos 80 anos de idade.
Conta-se que, no mesmo instante de sua morte, o Duque de Monte-Lione, estando em casa, viu surgir o Pe. João José envolto em luz, que lhe disse: “Eu estou na bem-aventurança”.
São João José da Cruz foi beatificado em 1789 e canonizado pelo Papa Gregório XVI em 1839. Suas relíquias foram transferidas para o convento franciscano da ilha de Ischia, onde nasceu e é venerado neste dia.
Crianças de outrora e tirania digital
Paulo Henrique Américo de Araújo
Lá pelos fins do século XIX, o pintor francês Charles Bertrand d’Entraygues1 fez fama internacional com telas figurando quase sempre o mesmo motivo: crianças. Mesmo o observador comum fica encantado ao se deparar com esses quadros repletos de singeleza, doçura e inocência. Vemos aí os pequeninos em atitudes das mais corriqueiras. Nos seus jogos, brincam com bolinhas de gude, piões, bastões, cavalinhos de madeira.
Por outro lado — e aqui vem algo de paradoxal — o artista francês frequentemente pinta coroinhas, isto é, ajudantes de missas, vestidos enquanto tais, fazendo seus jogos e inocentes divertimentos. O contraste é digno de apreço: meninos com batinas vermelhas, solidéus, peregrinetas, sobrepelizes, todo o aparato próprio a um coroinha dos tempos antigos... e assim são representados pelo pintor: brincando, jogando, rindo!
Num dos quadros mais expressivos, os coroinhas se encontram diante do portal de uma igreja. Tudo indica que a missa apenas se encerrou. Dois dos meninos comandam o divertimento, atraindo a atenção dos demais. Eles tentam de todas as formas fazer com que o cachorrinho apático se anime a fazer malabarismos, saltando através de um círculo. As fisionomias expressam alegria própria de crianças inocentes. Além disso, há nos meninos qualquer coisa de dignidade, de elevação, que transparece, sobretudo nos trajes.
Note-se a postura do rapazinho que aparenta ser o mais velho do grupo. Vemos seu corpo ereto, a batina rubra e a sobrepeliz branca. Pés juntos, braços