Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 850 | página 30-31
| MATÉRIA DE CAPA |(continuação)

El Santo Cristo de Lepanto que, movendo seu corpo milagrosamente, evitou ser atingido por uma bala de canhão dos muçulmanos.

de Deus. Dom João os exortou: “Lembrai-vos de que combateis pela Fé; nenhum poltrão ganhará o Céu”.

No centro da frota posicionou-se La Real, a nau capitânia de Dom João d’Áustria. O jovem príncipe mandou hastear o estandarte oferecido por São Pio V e bradou: “Aqui venceremos ou morremos”, e deu a ordem de preparação para a batalha contra os sequazes de Maomé. La Real foi ladeada pelos barcos de Marco Antônio Colonna e os de Sebastiano Vernier. No flanco direito posicionaram-se os barcos comandados pelo genovês Giovanni Andrea Doria. No flanco esquerdo, aqueles do veneziano Agostino Barbarigo, enquanto os do Marquês de Santa Cruz, Álvaro Bazan, se puseram na retaguarda.

Milagre impressionante: El Santo Cristo de Lepanto

Os trompetes soaram e os tambores rufaram. Seguiu-se um instante de sublime silêncio, imediatamente rompido por uma bombarda de canhão ordenada por Ali-Pachá da galera La Sultana. Dom João d’Áustria responde da sua La Real com outra bombarda. Os canhões de ambos os lados começam a fazer o mesmo.

Os primeiros embates foram favoráveis aos muçulmanos, que formados em meia-lua não paravam de disparar violentas cargas de suas bocas de fogo. Eles contavam com os ventos favoráveis às suas velas e o sol incidindo fortemente de frente aos cristãos, dificultando-lhes a visão. Em pouco tempo, tanto o sol quanto os ventos se inverteram a seu favor.

Naquele árduo entrechoque, em meio a um ruído ensurdecedor de instrumentos, cimitarras contra espadas, gemidos, brados e tiros, os guerreiros católicos — com arma em uma das mãos e o terço na outra ou ao pescoço — estavam prontos a dar a vida por Deus e tirar a dos infiéis. Eles respondiam com o máximo vigor possível aos ataques. No ardor do combate destacaram-se os famosos Tercios espanhóis e os cavaleiros da Ordem de Malta. Dentre os numerosos atos de bravura, citemos o de um combatente siciliano que estando enfermo e deitado em seu leito de dor, em vez de morrer de sua doença, saltou da cama e foi combater no convés. Antes de ser ferido por nove flechas e cair morto, conseguiu matar quatro mouros.

Mesmo com tantos atos de nobreza e coragem demonstrados no fragor do enfrentamento, por um momento o lado católico hesitou, pois os infiéis pareciam obter vantagem na peleja.

De repente, o ânimo dos cristãos reacendeu. Um grande crucifixo, considerado milagroso, havia sido mandado pelo rei Felipe II para ser fixado numa das caravelas. Uma bombarda de canhão adversário iria destruí-lo, mas o corpo da imagem de Cristo crucificado se afasta milagrosamente para não ser alvejado. Posteriormente ele recebeu honras de Capitão Geral do Exército, e até hoje se encontra na catedral de Barcelona, onde é venerado como El Santo Cristo de Lepanto.

Socorro celeste da Senhora Auxiliadora dos Cristãos

Na batalha, outro fato animou ainda mais os cristãos: um tiro de arcabuz mata o chefe turco Ali-Pachá; um soldado espanhol consegue pular para a embarcação

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Vitória de Lepanto graças ao Papa São Pio V

Plinio Corrêa de Oliveira

Trecho de conferência em 7-10-1975, sem revisão do autor.

Vou destacar aqui um herói da batalha de Lepanto, a respeito do qual pouco se fala. Esse herói foi o Papa São Pio V.

O Pontífice via bem o poder otomano crescer cada vez mais, e o perigo de os otomanos se jogarem sobre a Itália ou sobre qualquer outra parte da Europa, e operarem uma invasão que poderia ter efeitos tão ruinosos ou talvez mais ruinosos do que teve a invasão dos árabes na Espanha, no começo da Idade Média.

Nessa situação, São Pio V tinha que apelar naturalmente para o varão que era o apoio temporal da Igreja naquele tempo: Felipe II, Rei da Espanha.

O Imperador do Sacro Império Romano Alemão não tinha condições, por causa da divisão religiosa no império [em razão da revolução protestante], de lutar eficazmente contra os mouros. A França estava corroída por uma crise religiosa muito grande, guerra de religião etc.

O Papa só podia contar, dentre as grandes potências católicas, com Felipe II de um lado, e, de outro, com Veneza, que dispunha de grande poder marítimo.

Caso Felipe II se retraísse, a horda maometana desataria sobre a Itália, e depois atingiria toda a Cristandade. Seria o fim da civilização cristã no Ocidente. Não seria o fim da Igreja, porque ela é imortal; mas, ao que a Igreja poderia ficar reduzida, ninguém sabe.

Se não fosse a pressão de São Pio V, não se teria realizado a Batalha de Lepanto, porque a Espanha não teria mandado sua esquadra. Esta era o grande contingente decisivo dentro das esquadras aliadas que lutaram e venceram em Lepanto.

Assim se compreende melhor por que razão houve a famosa aparição a São Pio V: a revelação da vitória das esquadras católicas.

São Pio V foi um verdadeiro herói, como Dom João d’Áustria e os outros grandes guerreiros que venceram em Lepanto.


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