de ler aqueles escritos que possam prejudicar a fé e os bons costumes”.1
Obrigação de se evitar “leituras perigosas”
Atualmente a responsabilidade de velar para que a fé e os costumes dos fiéis não sofram dano quanto às leituras, recai sobre os ombros de cada católico, especialmente dos pais em relação aos filhos.
Da mesma forma que o direito natural obriga a proteger a própria saúde física, também obriga (ainda mais!) a proteger a saúde espiritual, da qual depende a salvação eterna. Se hoje as autoridades sanitárias exigem dos particulares tantas medidas para as pessoas vulneráveis se protegerem de um vírus que pode ser mortal — permanecer em casa, manter distância social, usar máscaras — com muito mais razão as pessoas devem proteger a sua fé e a sua virtude contra o ataque de heresias e obscenidades, pois são ‘vírus espirituais’ terrivelmente mortais para as almas.
Convém recordar o que afirma o Concílio de Trento: a fé é o começo, a raiz e o fundamento da justificação, pelo que, sem ela, é impossível agradar a Deus e chegar a formar parte do número de seus filhos. Por isso, é pecado grave fazer leituras que possam proximamente pôr em risco a fé.
Mas não basta isso. Para a vida espiritual é muito importante pedir continuamente a Deus que aumente a nossa fé, exclamando como o pai do menino possesso: Creio, Senhor! Vinde em socorro da minha falta de fé! (cf. Mc 9, 24). Devemos igualmente rejeitar as tentações e dúvidas contra a fé. Para isso é importante evitar as leituras perigosas ou imprudentes que falam da religião usando critérios anticristãos ou mundanos. Evitar isso da mesma forma que fazemos com um vírus ou com a pandemia.
A mesma diligência deve ser exercida em relação à virtude da pureza, rejeitando as leituras que ofendem o pudor e a moral. Nesse sentido, cabe recordar que a curiosidade levou Eva a ser tentada pela serpente (o demônio), levando nossos primeiros pais a cometerem o pecado original.
Livros perigosos que contrariam a fé católica
Index Librorum Prohibitorum sob o papado de Bento XIV, século XVIII.
Lamentavelmente, não existe atualmente o Índice dos Livros Proibidos. Além disso, quase nenhum bispo ou sacerdote cumpre sua obrigação de vigiar para que a fé e os costumes dos fiéis não sofram dano, e não lhes oferecem indicações precisas quanto às leituras. Assim sendo, tal responsabilidade recai sobre os ombros de cada católico, especialmente dos pais em relação aos filhos.
Quais livros devem ser objeto de uma vigilância particular dos fiéis?
O antigo Código de Direito Canônico fazia no seu cânon 1399 uma enumeração que ainda serve como guia. Tentarei reordenar de maneira pedagógica essas recomendações, aplicando-as aos nossos dias:
– Livros que ensinam ou recomendam a superstição, a adivinhação, a magia, o espiritismo, horóscopos e coisas semelhantes;
– Livros que deliberadamente atacam a religião ou os bons costumes;
– Livros que defendem a heresia ou o cisma, ou que procuram demolir os fundamentos da religião;
– Livros que procuram desacreditar ou ridicularizar qualquer dogma da fé; ou que defendem erros rejeitados pela Igreja; ou que zombam da liturgia, da disciplina eclesiástica, do clero etc;
– A Bíblia e textos das Sagradas Escrituras publicados por não católicos, ou ainda versões publicadas por católicos, mas que não contam com aprovação eclesiástica;
– Livros de não católicos cujo conteúdo principal versa sobre religião, a menos que haja certeza de que não contêm nada contrário à fé católica;
– Livros que declaram lícito o suicídio e o divórcio. Podemos acrescentar também os livros que aprovam o aborto, a eutanásia, o concubinato, o homossexualismo, o falso ‘casamento’ homossexual e a ideologia de gênero;
– Livros que expressamente tratam de coisas