| CAPA | (continuação)
subtraiu o cibório que continha a hóstia magna (usada na Adoração) da igreja paroquial. A hóstia apareceu entre arbustos envolta numa luz brilhante e dividida em sete peças, formando uma flor.
A Sra. Margarida Schulmeister, guardiã de uma fazenda de porcos, contou como achou as partículas: "Assim que cheguei com meus porcos perto do lugar onde estava o abençoado Sacramento, meus animais pararam. Solicitei a ajuda de dois homens a cavalo. Eles viram no meio do capim uma Hóstia, a que havia sido roubada, dividida em sete partículas. Seis delas formaram uma flor semelhante a uma rosa, e uma bela luz a cercava".
O pároco tomou as seis partes da Hóstia. Mas quando quis recolher a central, essa entrou na terra.
O fato foi tido como um sinal para construir uma capela no local. As seis partículas foram preservadas na igreja de Ettiswil, que se tornou um centro de grande veneração, e onde Deus fez muitas curas. O novo santuário foi consagrado em 28 de dezembro de 1448, um ano e meio depois do milagre. Muitos Papas concederam indulgências para os romeiros. O último foi Pio XII, em 1947.
Alatri: milagre confirmou o dogma da transubstanciação
Bula "Fraternitatis tuæ" com o relato do milagre eucarístico de Alatri (Itália).
O Papa Inocêncio III (1198-1216), acompanhado pelo IV Concílio Lateranense, proclamou o dogma da transubstanciação, oficializando obrigatoriamente o termo.
No dia 13 março de 1228, o novo Papa Gregório IX (1227-1241) publicou a Bula "Fraternitatis tuæ" com o relato do milagre eucarístico de Alatri (Itália), abonando o termo que se tornaria dogmático.
Esse milagre é comparável à aparição de Nossa Senhora em Lourdes, que confirmou o dogma da Imaculada Conceição. O dogma da transubstanciação afirma que, pela fórmula da consagração pronunciada na Missa pelo celebrante, segundo prescreve o Missal, o pão e o vinho passam a ser o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo.
Essa definição condenou a heresia de Berengário, filósofo e teólogo de Tours (França), que negava a transubstanciação.
Lutero e os protestantes adotaram a heresia, dizendo que na Missa o celebrante só repete as palavras de Cristo, e que o pão e o vinho continuam sendo mero alimento para uma ceia solidária.
Os mesmos erros são ecoados hoje por "católicos" ditos "progressistas". Eles apresentam a Missa como mera comemoração comunitária da Última Ceia, que teria sido apenas um jantar festivo por ocasião da Páscoa.
Esses erros, satanicamente inspirados, enganam muitos fiéis. Mas a Divina Providência fez milagres para evidenciar a verdadeira natureza de sacrifício propiciatório da Missa.
Segundo o registro da Prefeitura, o Milagre de Alatri assim se passou: "Uma moça, entristecida por um amor não correspondido, procurou uma feiticeira para ter de volta o amado [...]. Disse-lhe a bruxa:
— Vai na tua igreja e pega uma hóstia consagrada, e eu te darei um filtro portentoso que trará teu noivo de volta a teu coração. — Mas é um pecado! — sussurrou a moça.
— Cale a boca! Boba! Queres ter teu noivo de volta?
— Sim.
— Então vai à tua igreja amanhã e assiste à missa. Na hora certa, recebe a comunhão. E sem atrair a atenção dos circunstantes, apressa-te em embrulhar a Hóstia consagrada pelo sacerdote num lenço. Quando tiveres a Hóstia, volta aqui.
Ofegante, a moça foi à missa do dia seguinte; e sem ser vista, conseguiu levar para casa a Hóstia envolta em um lenço. Escondeu a partícula dentro de um armário, e passou assim três dias em uma tremenda dúvida.
Quando foi levar a Hóstia para a feiticeira, abriu o armário e ficou atônita: em vez da hóstia branca, achou uma porção de carne viva.
A pobre menina sacrílega começou a chorar, horrorizada:
— Meu Deus, meu Deus! Agora, o que eu faço?
Tomada de pavor, ela fugiu de casa. Foi até o padre e confessou o seu terrível pecado.
O ministro de Deus levou o milagre ao bispo, que informou ao Sumo Pontífice Gregório. O Papa respondeu pela Bula "Fraternitatis tuæ":
"Gregório bispo, servo dos servos de Deus, ao venerável irmão de Alatri, saúde e bênção apostólica. Em primeiro lugar, devemos dar graças Àquele que em todas as coisas opera de maneira maravilhosa, repete os milagres e suscita novos prodígios, para fortalecer a fé na verdade da Igreja Católica, sustentando a esperança, reacendendo a caridade, atraindo os pecadores, convertendo os iníquos e confundindo a maldade dos hereges. Portanto, meu caro irmão, nós dispomos que você inflija uma punição mais branda à jovem, que acreditamos ter realizado a ação criminal mais por fraqueza do que por malícia. À instigante, porém, que com sua perversidade a levou a cometer sacrilégio, depois de aplicar as medidas disciplinares apropriadas, impõe-lhe visitar os bispos mais próximos e confessar seu crime, implorando o perdão com devoção e submissão".
A relíquia da partícula, transformada em carne, se encontra num ostensório de cristal, exibido permanentemente na nave direita da Basílica Co-catedral de São Paulo, em Alatri.
Alcalá de Henares: milagre, sacrilégio e reparação
Alcalá de Henares, perto de Madrid, comemorou o IV Centenário do reconhecimento do "Milagre das 24 Santas Hóstias Incorruptas".
Em 2019, a cidade de Alcalá de Henares, perto de Madrid, comemorou o IV Centenário do reconhecimento do "Milagre das 24 Santas Hóstias Incorruptas".
A Custódia não é para uma grande Hóstia, mas para 24 Hóstias destinadas aos fiéis. A procissão vai da paróquia de Santa Maria Mor até a catedral, e volta, culminando com a bênção do Santíssimo no Palácio Arquiepiscopal.
Em 1597, um penitente arrependido restituiu ao confessor 24 Hóstias que roubara sacrilegamente. Temendo algum artifício de protestantes ou maçons que envenenavam Hóstias, o confessor mandou guardá-las numa cripta úmida,