Deus, entretanto, que protegia a terra de Santa Cruz, suscitou para a sua defesa bravos heróis, fazendo inúmeros milagres e prodígios.
Nessa época, a capitania do Espírito Santo sofreu diversos assaltos dos hereges, seguidores de Calvino e Lutero, um dos quais contra o Santuário da Penha, milagrosamente frustrado. A construção desse templo, iniciada em 1639, já estava quase concluída quando os holandeses tentaram tomá-lo de assalto em 1643. No ano seguinte, terminou-se a sua edificação.
No dia 22 de setembro de 1643 haviam os holandeses se assenhoreado do porto de Vila Velha e já começavam a fortificar-se quando, diante de seus olhos, o Santuário ia se transformando em castelo, cercado de fortes muralhas e defendido por um esquadrão de soldados. Do monte descia muita gente, a pé e a cavalo, todos com armas luzentes e bem preparadas (no morro, entretanto, não havia ficado pessoa alguma; e a própria imagem da Penha havia sido removida para o convento de São Francisco, embaixo, na vila).
A vista desse espetáculo aterrador, fugiram os holandeses desordenadamente, recolhendo-se à suas naus, tendo sido massacrados ainda quarenta deles por habitantes da vila.
Tal fato ocorreu no dia da festa dos santos soldados mártires da Legião Tebana, com seu capitão São Mauricio.
Daí interpretarem os moradores que o esquadrão ao pé do castelo era constituído pelo santo e seus companheiros, os quais, no dia de seu martírio, vieram prestar socorro aos católicos. Uma ação, portanto, da Legião Tebana, sob inspiração de Nossa Senhora da Penha. Os habitantes erigiram mais tarde no Santuário um altar em louvor de São Maurício, e em honra dele fundaram uma confraria.
Expulsão definitiva do herege invasor
Uma segunda tentativa de saquear o convento foi feita pelos holandeses no final de 1653, pouco antes de serem expulsos definitivamente do Brasil.
O superior do Santuário da Penha era então Frei Francisco da Madre de Deus, que trabalhava ativamente para levar adiante sua construção.
Os holandeses chegaram de repente e em plena madrugada, tomando de assalto toda a montanha e arredores, pegando de surpresa religiosos e empregados.
Contra a força das armas não podia haver resistência, mas Frei Francisco permaneceu imóvel em oração diante da imagem de Nossa Senhora da Penha. Os holandeses roubaram todas as preciosidades da sacristia e do altar, sem molestar o religioso.
Quando procuraram pegar a coroa e o manto da Virgem, Frei Francisco levantou-se, exigindo que não a tocassem, que ele mesmo os tiraria. E assim o fez, obrigado pelas armas.
Um dos holandeses tentou então apossar-se de um precioso anel do dedo da imagem, mas não o conseguiu, nem tampouco cortar seu dedo ou sua mão, tendo que desistir. Mas levaram a coroa, o manto e os brincos da efígie sagrada.
Após a fracassada tentativa, o frade passou a increpar o holandês com enérgicas palavras: "Vai-te embora e lá verás os brincos que te hão de custar caro; e este será o último atrevimento dos teus companheiros no Brasil, porque só isto faltava por teus pecados para castigo teu e dos demais”.
Os holandeses partiram, levando muitos valores e alguns empregados como escravos, mas com os religiosos nada fizeram.
A previsão de Frei Francisco se cumpriu do modo mais completo. Não muitos dias depois, no memorável 27 de janeiro de 1654, João Fernandes Vieira –– que comandava a vanguarda do exército luso-brasileiro –– entrava triunfalmente na cidade de Recife, e a libertava do jugo holandês, colocando ponto final à invasão batava no Brasil.
Venceu os hereges o mesmo Fernandes Vieira contra quem, pouco antes, os holandeses haviam espalhado a notícia de que havia sido morto. Ao que o bravo comandante mandou responder: "Graças, quem disse isso aos flamengos falou verdade que era morto, e fui, mas chegando ao céu me perguntou Deus se ficaram mais flamengos no Recife e eu lhe respondi que sim, e ele me tornou a mandar para que os viesse a acabar de matar”.
Na rendição final dos hereges invasores, em Recife, esteve presente Frei Daniel, do Santuário da Penha, a quem foram restituídos os empregados levados como escravos, juntamente com as alfaias, ornamentos e outras peças roubadas pouco antes, durante o saque do Santuário.
Na história de Nossa Senhora da Penha, no Espírito Santo, são abundantes os milagres e prodígios que Ela sempre operou e que continuam até nossos dias. Escolhemos apenas os que poderiam caber nos limites de um simples artigo, suficientes para levar os leitores à veneração de uma das padroeiras mais cultuadas do Brasil.
Segundo o Martirológio Romano, durante a guerra movida pelo Imperador Maximiano contra os bagaudios –– camponeses da Gália que se rebelaram contra a dominação romana em 286 ––, a legião denominada tebana, aquartelada em Agauno, naquela província do Império, foi convocada à cidade de Octodurum, a fim de sacrificar aos deuses e prestar um juramento especial. Recusando-se a fazê-Io, pelo fato de serem cristãos, Maurício, Esupério, Cândido, Víctor, Inocêncio e Vital e seus 666 companheiros de Legião foram massacrados.
A Santa Igreja os canonizou como mártires.
A verdade se encontra nos livros?
J. Bettinck Carvalho
Boa pergunta, esta do título acima. Se ela se refere a bom número de livros atualmente em voga nas escolas brasileiras, o “sim” não consegue brotar facilmente nos lábios. Os professores assinantes de CATOLICISMO (e seu número é grande) sabem que esta é a realidade.
Felizmente ainda temos livros didáticos que, tanto no método quanto no conteúdo, seguem a linha tradicional –– eu quase diria racional. Mas vão aos poucos rareando, face à enxurrada dos livros revolucionários que aumenta ano a ano. E é indispensável que se diga: esta enxurrada vem crescendo, pelo incentivo recebido das propostas curriculares oficiais de vários Estados, como São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco etc.
Chama a atenção uma série de coleções constituídas por obras de aparência geralmente atraente, ricamente impressas, bem ilustradas e fartamente divulgadas. São livros destinados a tratar em detalhe determinados pontos das matérias ensinadas, inclusive despertando no aluno o gosto pela leitura. Até aí, muito bem. A questão, evidentemente, é saber que ideias essas obras estão inculcando nos espíritos juvenis.
Entre essas coleções está Visão do Mundo(1) constituída por uma enumeração de sentenças de sabor socialo-comunista, lançadas sobre o leitor para serem aceitas como verdades absolutas. Polêmica(2) pelo menos se esforça por dar uma aparência científica às suas redações. Já Viagem pela Geografia(3) tem apresentação muito atraente e bem adaptada ao modo de ser brasileiro, farta em desenhos e com enredos romanceados. Por isso mesmo, mais insinuante. Por fim, História em Documentos(4) tem uma linguagem fluente e agradável, própria a estimular a leitura.
O dogma da igualdade para ser aceito sem discussão
Alguém que leia uns poucos capítulos à procura da filiação doutrinária dessas coleções, encontra-a sem dificuldade: marxista, pura e simplesmente. Expressões como "processo social", "trabalho produtivo", "mais valia", "prática social", "classe oprimida", "classes privilegiadas" etc., tão caras à esquerda tupiniquim, estão onipresentes.
Aprofundando a pesquisa, verificamos que os textos dessas coleções revelam inconformidade com a ordem de coisas inspirada na Igreja Católica, que transformou o mundo pagão antigo, greco-romano ou bárbaro, na civilização cristã. Dentro deste contexto, os ataques contra a desigualdade revelam-se verdadeira obsessão. A fim de gravar nas mentes dos alunos que um mundo justo só pode ser igualitário, os autores lançam mão de surrados mitos socialistas, fazendo pouco caso da realidade. Para os adeptos do "socialismo científico" é muito mais grato lidar com chavões sentimentais e demagógicos do que com análises verdadeiramente científicas.
A Igreja, o Estado, a família, a própria escola são alvo de críticas odientas. Elas seriam instituições maléficas, que sempre estiveram a serviço dos opressores, e seu pecado capital consiste em violar o sagrado dogma estabelecido pelos "donos da verdade", ou seja, pelos sumo-sacerdotes socialo-comunistas: o dogma da igualdade. Ao mesmo tempo em que rendem um culto quase idolátrico à democracia, esses livros mostram-se bem pouco democráticos quando se trata de impor seus pontos de vista.
De passagem, fique aqui assinalado o seguinte alerta de vários especialistas: a "pedagogia da emancipação", baseada na crítica, acarreta danos psicológicos aos jovens, muitos deles tornam-se céticos, amargos e cínicos. Existe mesmo o perigo da neurotização de gerações inteiras(5). Isto é assunto complexo que fica para outro artigo.
Gostaria de perguntar ao autor do opúsculo Os Direitos Humanos, da "progressista" coleção Visão de Mundo, se não existe um direito do aluno de ser informado com a verdade ... Continuaremos depois
Página seguinte