Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 448 | página 10-11
| FRANÇA |(continuação)

petainismo, a colaboração etc.), desapareceu. Os seus resíduos podem ser encontrados no Le Pen, a Frente Nacional.

"Assinale-se ainda um elemento favorável a essa ascensão do 'centro': a ruína (...) do Partido Comunista francês" ("O Estado de S. Paulo", 14-2-88). Notem o termo centro entre aspas. Não são os que pensam como o centro, mas sim os que titubeiam no centro porque não sabem para onde andar.

"O que o Partido Socialista perdeu foi o entusiasmo. E se durante os cinco anos de poder (até a ascensão de Chirac, em 1986), ele não se deteriorou, em contrapartida se transformou. Seu discurso perdeu a ênfase, a generosidade. Os grandes sonhos socialistas de Justiça, Igualdade e Fraternidade estão moribundos"("0 Estado de S. Paulo", 10-1-88).

Posto que estão moribundos, tenta-se revitalizar os sonhos sob novas formas: "Os socialistas resolveram tirar a roupa neste inverno na França, em cartazes de propaganda política, tendo como mote a revolução francesa: 'Liberdade, Igualdade, Fraternidade'. A `igualdade querida' é representada por três crianças nuas: branca, negra e asiática, sentadas num banco" ("Jornal do Brasil", 20-12-87). Este é o programa dos socialistas! É o descobrir-se, é o desnudar-se! Foi a isto a que chegou a trilogia da Revolução Francesa!

Decisivo o voto católico?

Neste mês de abril dar-se-á o primeiro turno das eleições presidenciais francesas, e no dia oito de maio, o segundo turno. Quem sairá vencedor? Pesquisa do instituto francês SOFRES para o jornal católico progressista "La Croix", entre 2.000 católicos, "mostra que 37% dos católicos votam em Mitterrand; 25% em Chirac (RPR — direita), 21 % em Raymond Barre (UDF — direita) e 10% em JeanMarie Le Pen (FN — extrema direita)" ("Folha de S. Paulo", 1?-3-88). Quer dizer, entre os católicos, parece certa a vitória de Mitterrand no primeiro turno e incerta no segundo. Mesmo se vencer o socialismo, isto de modo algum indicará vitória da esquerda, mas sim a manutenção do estado atual de indefinição ideológica, ou, mais precisamente, de definição fisiológica...

R. Mansur Guérios

Para a redação deste artigo, além do "Newsweek, utilizamos matérias enviadas pelos seguintes correspondentes na França: Any Bourrier ("O Globo"), Fritz Utzeri ("Jornal do Brasil") e Gilles Lapouge ("O Estado de S. Paulo").


| DISCERNINDO, DISTINGUINDO, CLASSIFICANDO |

Inimizade que é o eixo da História

"INIMICITIAS ponam" (Porei inimizades). Que grande e superior mistério encerram essas palavras! Quando se tem presente que é o próprio Deus quem quer tal inimizade, fica-se pensativo. Tudo o que Ele faz é perfeito, e, portanto, também essa inimizade posta por Deus é perfeita.

A Sagrada Escritura acena para o caráter perpétuo dessa inimizade entre o demônio e Nossa Senhora: "Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua posteridade e a posteridade dEla. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar" (Gen. 3, 15).

Nessas afirmações o Criador parece ter condensado profeticamente toda a História da humanidade, desde o momento terrível em que o primeiro casal foi expulso do Paraíso terrestre, até aquele outro momento não menos terrível em que se dará o Juízo Final. A História dos homens, vista em sua profundidade última, é a história de uma inimizade. Toda a complexa trama dos acontecimentos, tecida de ambições, de interesses, de gozos, de dores e também de sacrifícios e dedicações, tem como eixo essa inimizade fundamental, essa luta irremovível. Sobre ela comenta o grande doutor marial do século XVIII, São Luiz Grignion de Montfort:

"Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até o fim (...). Deus não pôs somente inimizade, mas inimizades, e não somente entre Maria e o demônio mas também entre a posteridade da Santíssima Virgem e a posteridade do demônio. Quer dizer, Deus estabeleceu inimizades, antipatias e ódios secretos entre os verdadeiros filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e escravos do demônio. Não há entre eles a menor sombra de amor" ("Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem", Vozes, Petrópolis, 1983, 12 edição, p. 54).

* * *

Sobre tal verdade, o pai da mentira constantemente procura lançar véus, escondê-la. Se ela ficar patente aos olhos dos homens, ele perderá muitos seguidores. Sua tática constante é a de evitar a luta clara, em campo aberto e de viseira erguida. Suas armas são as do engano e da fraude, em uma palavra, as da traição. Com elas, como por meio de uma rede, ele arrasta os homens para as hostes infernais.

Daí a importância para o poder das trevas em soprar traiçoeiramente que todos são bons e devem unir-se: não há maus, há equivocados, não há malícia deliberada, há apenas fraqueza.

Todo o mundo moderno foi sendo construído sobre essa mentira. Mas de modo especial, a partir da Conferência de Yalta, em 1945, realizada pouco antes do término da segunda Guerra Mundial, difundiu-se um verdadeiro frenesi de paz mesmo ao preço da honra e da vergonha; de reconciliação por cima das oposições mais necessárias; de convergência forçosa entre todas as tendências ainda as mais díspares. O que, tudo, tem favorecido assustadoramente a obra nefanda do poder das trevas, pois o bem se vê confundido com o mal. De tal modo que parecemos estar vivendo naquela infame sociedade descrita com horror pelo Profeta Sofonias em que os homens "dizem nos seus corações: o Senhor não faz bem nem mal" (Sof. 1, 12).

A mentalidade dos verdadeiros filhos da Virgem, porém, é oposta: afirmar a verdade e rejeitar o erro, louvar o bem e condenar o mal, admirar o belo e execrar o hediondo. "Seja o vossa falar: sim, sim, não, não" (Mt. 5, 37).

Mas, se a inimizade e a luta entre o bem e o mal são o eixo da História, não é menos verdade que a vitória final será da Imaculada. Ela pessoalmente já venceu, e seus filhos, unidos a Ela, igualmente vencerão. Esta convicção, em termos poéticos e incisivos, nô-la inculca o nosso querido Apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, em seu famoso poema à Virgem, escrito nas praias de Iperoig:

"Inimizade eterna e tremenda batalha / contra ti (demônio), contra os teus há de travar sem falha. (...) / Mas pisando-te aos pés, não \ roçada / pelo teu bafo mau, nem pela vil picada. / Com o pé vitorioso a cerviz te comprime / esmaga-te a cabeça, e ao tronco a suprime".

(Canto I, v. 103-112; Edições Loyola, São Paulo, 1980, tradução do Pe. Armando Cardoso SJ).

C. A.


| REALIDADE |

A realidade concisamente


Missa com danças africanas

Em declarações a "O São Paulo" (11 a 17-3-88), órgão oficial da Arquidiocese paulopolitana, D. José Maria Pires, Arcebispo de João Pessoa — conhecido como D. Pelé, e que agora resolveu denominar-se D. Zumbi — houve por bem antecipar seus planos com vistas à Campanha da Fraternidade deste ano, cujo lema — "Ouvi o clamor deste povo" — se refere à raça negra. Pretende "africanizar" as celebrações litúrgicas.

Conforme o Antístite, "as pessoas ainda se assustam quando veem uma cerimônia enriquecida com gestos da cultura africana", pois está surgindo um novo tipo de liturgia "com danças (...), vestes com cores vistosas no estilo africano, que tem uma simbologia muito grande".

Com efeito, um dos resultados mais visíveis das devastações "progressistas", operadas em meios católicos, é a difusão nas igrejas de tais manifestações neopagãs e revolucionárias, que dessacralizam e conspurcam os Sagrados lugares, e constituem um anti-apostolado, tanto em relação aos brancos quanto aos negros.

Será a efetiva oficialização desta "nova liturgia" que pleiteia D. José Maria Pires?


"Farrapos de papel"

Há três anos, em acordo firmado com a Grã-Bretanha sobre a situação futura de Hong Kong, de cujo domínio a Inglaterra aceitara abrir mão em 1997, Pequim se comprometeu a manter a autonomia administrativa da ilha pelo tempo mínimo de 50 anos, sob regime capitalista.

Tal perspectiva tranquilizadora para os otimistas inveterados durou pouco. Aos acomodados burgueses de sempre, cuja invariável conduta em face do comunismo é "ceder para não perder" e assim vão sempre cedendo, acaba de ser enviado um "ultimatum": o sistema político de Hong Kong terá de alinhar-se aos planos da China vermelha bem antes da data prevista para a entrega. É o que anunciou o recente "livro branco" do próprio governo insular, que sublinhou desde logo a necessidade de Hong Kong enquadrar-se "nas leis básicas chinesas", isto é, na aceitação do comunismo.

Eis aí mais uma confirmação de que, para a política comunista, os tratados não passam de "farrapos de papel".


Semi-analfabetismo

O desconhecimento da mais elementar ortografia entre estudantes é notório. Assim, em exames vestibulares, grafam, sem pejo, "almento", "cals", "aparença", "deichamos", "disvantagem", "preucupar", "pírula"... ou "brazil".

O Prof. Ozanir Roberti Martins, que leciona em vários colégios no Rio de Janeiro, declarou: "Os estudantes não leem ou leem pouco e, por isso, guiam-se pelo som das palavras na hora de redigirem. Além disso há um completo desconhecimento das normas gramaticais" ("Jornal do Brasil", 8-11-87).

Muitos jovens, quando tentam manifestar algo de próprio, mostram-se incapazes de exprimir até conceitos básicos, por lhes faltar precisamente o vocabulário adequado à expressão do pensamento.

Com a preguiça mental exacerbada pela "videomania" e o "permissivismo" crescente nas escolas, vai, deste modo, o intelecto humano sendo relegado ao ostracismo, como uma velheira de outras eras!


Tradição e "modernidade"

A explosão de extravagância e desatino constituída pelas manifestações estudantis de maio de 1968 na Sorbonne teve como um de seus efeitos a supressão quase completa do uso de uniformes escolares, substituídos por uma indumentária caótica e frequentemente imoral.

Agora, porém, nos Estados Unidos — país símbolo da "modernidade" — , os uniformes es colares estão de volta aos colégios. Estudos recentes, realizados por especialistas, concluíram que os uniformes, além do alcance prático evidente, são mais econômicos, evitam vaidades e disputas entre moças e humilhações aos pobres, fazem bem ao espírito, à estética e à ordem geral dos estudos.

É mais uma "modernidade" de ontem que cai em favor da tradição.


Acordo com Gorbachev enfraquece NATO

O Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais deu a lume em Washington um relatório, advertindo que a coesão política da Aliança do Atlântico Norte (NATO) constituirá um grande problema para os futuros Presidentes norte-americanos. Intitulado "Opções de Segurança Nacional para o próximo Presidente", o estudo afirma que muitos europeus estão questionando a credibilidade dos compromissos assumidos por Washington para a defesa do Velho Continente, como consequência do recente tratado assinado por Reagan e Gorbachev visando a eliminação dos mísseis de alcance médio da Europa.

Tal perspectiva — nada auspiciosa para o Mundo Livre — torna-se ainda mais sombria quando se leva em conta o desprestígio internacional crescente da Casa Branca, ao supervalorizar confrontos com ditadores centro-americanos como Ortega e Noriega, em detrimento de sua oposição ao comunismo soviético, verdadeira causa da intranquilidade mundial.


Igreja ajuda guerrilha

Durante anos a fio, o Novo Exército do Povo (NPA), facção guerrilheira vinculada ao Partido Comunista filipino, recebia milhões de dólares por ano da Igreja Católica naquele país, para a compra de armamentos.

A clamorosa revelação partiu da fonte insuspeita por excelência, qual seja, o próprio Primaz, Cardeal Sin, Arcebispo de Manilha.

Causa pasmo, todavia, o teor desse depoimento: longe de profligar em termos incisivos e claros o escandaloso tráfico, e de iniciar eficaz e pronta investigação a respeito, para a aplicação de indispensáveis e severas sanções canônicas aos fautores e cúmplices desse inconcebível delito, o Cardeal Primaz limitou-se tão-somente a informar ter sido dissolvido o Secretariado de Ação Social, que financiava os guerrilheiros. Nenhuma satisfação à opinião pública católica a respeito das causas que conduziram a tão aberrante conluio...

Laconismo e ligeireza, em matéria dessa gravidade — eis aí um pronunciamento eclesiástico que desconcerta e intranquiliza!


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