Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 437 | página 08-09
| TFP CHILENA |(continuação)

quase não ecoaram fora do país — graves acusações foram lançadas contra a esquerda católica, como instigadora da violência.

"La Época" (4/4/87), por exemplo, órgão de orientação democrata cristã, conta que, no próprio parque, "muitos leigos increparam alguns sacerdotes, acusando-os de serem instigadores do que havia ocorrido". O padre-operário Mariano Puga foi qualificado de "infeliz", enquanto o padre Miguel Ortega foi acusado de 'fomentar o ódio social" e vituperado como "desgraçado".

Essa atitude dos fiéis parece ter uma explicação. Pois, quando as forças policiais, reforçadas por carros e equipamentos antimotim, começam a dispersar os baderneiros, um grupo de 40 sacerdotes paramentados retiram-se do altar. E, de mãos dadas, entram na área de confronto. O que tem, como efeito imediato diminuir o ímpeto de alguns agressores. Mas também produz a parali7ação da ação policial que fica impedida, assim, de continuar a impor a ordem no parque. Com esta inesperada "ajuda", os agitadores recebem novo alento. E recomeçam a agressão, jogando mais pedras sobre carabineiros e até sobre alguns sacerdotes!

O próprio organizador do ato — testemunha perfeitamente insuspeita — Juan Carlos Latorre, em entrevista radiofônica, reproduzida em parte por "El Mercúrio" (5/4/87) e com mais pormenores por "El Alcazar", de Madri (8/4/87), declara que os autores da violência "são os mesmos que pedem à Igreja que os acolha, os proteja e colabore com eles quando se sentem ou se dizem perseguidos". — "Alguns setores da Igreja açularam os grupos que promoveram a violência", diz, por sua vez, Fidel Reyes, Decano da Faculdade de Direito da Universidade Central ("El Mercúrio", 5/4/87).

O próprio João Paulo elogia repulsa à agitação

Tão notório foi o "show", que o próprio João Paulo II comentou, conforme "El Mercúrio" (5/4/87), dirigindo-se ao Cardeal de Santiago, Dom Francisco Fresno: "Pequenos grupos não representam o verdadeiro sentimento dos chilenos".

Na mesma edição de "El Mercúrio", o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Vals, deu a conhecer que "o Papa elogiou a atitude dos fiéis ante a violência: 'Felicito-os porque a haveis sabido enfrentar como cristãos', referindo-se aos fatos do Parque O'Higgins".

No mesmo sentido, "La Segunda" (13/4/87) transcreve comentários que João Paulo II fez a Dom Eládio Vicutia, Bispo de Puerto Montt, quando este lamentou os distúrbios no Parque O'Higgins: "Era um pequeno grupo mas, em comparação, havia uma imensa multidão que ficou até o final da cerimônia".

Sem embargo, o correspondente de um diário carioca, ao narrar o acontecido, afirma que "um vasto setor do parque, onde se reuniam centenas de milhares de pessoas, foi invadido por veículos blindados da polícia, que atiravam gases tóxicos e água com produtos químicos contra exaltados manifestantes e fiéis". E que padres "abandonavam suas posições junto ao altar para tentar acalmar os ânimos", acrescentando ainda que "no meio da correria os testemunhos das pessoas eram sempre contra a polícia" ("Jornal Brasil", 4/4/87).

Na Avenida Providência, aplausos aos carabineiros

Já se viu, pelo que narrei até aqui, quanto os chilenos mostraram-se não só refratários, mas contrários à desordem.

É oportuno, a propósito dessa atitude assumida pelo público andino, ressaltar um traço do perfil psicológico do chileno. Este, em boa medida, é parecido com o que é, no Brasil, o simpático povo mineiro. Observador, cauto, desconfiado, paciente, não se apressa em tomar posição até que a situação criada exija dele uma atitude firme. Aí não recua. Sabe ser afirmativo, categórico mesmo.

Foi o que sucedeu, por exemplo, na Avenida Providência, situada num bairro de classe média de Santiago, próximo à Nunciatura Apostólica, onde estava hospedado o augusto visitante.

São 13:05 horas de quinta-feira, 2 de abril. Previamente à comitiva papal, aparecem batedores do corpo de carabineiros. Alguns esquerdistas assobiam e vaiam, em sinal de protesto. Populares respondem com palmas, sufocando os assobios. Em seguida, aparece um micro-ônibus com mais policiais. Assobios de esquerdistas. Nova salva de palmas. O clima torna-se tenso. Passa o "papamóvel", aplausos gerais e unânimes.

Após alguns instantes, desce a avenida um grupo de carabineiros, com passo cadenciado. Assobios. Palmas. Guerra de assobios e palmas, a ponto de, na rua e nos prédios, todos se engajarem. As palmas sufocam vitoriosa e estrepitosamente os assobios. Cessam os assobios. O entusiasmo foi tanto que uma senhora comenta: "Foram mais aplaudidos que o próprio Papa". Nos balcões e janelas dos prédios as palmas continuam. Num dos prédios, em frente à Igreja da Divina Providência, de 40 pessoas, 36 aplaudiam.

Uma senhora, voltando-se para outra, indaga: "Onde estão os jornalistas que não vêm aqui para filmar isto?"

Desinformação também sobre o quadro socioeconômico

A situação socioeconômica chilena... Quanto já se disse de verdadeiro e de errado a seu respeito?

Que impenetrável amálgama de versões confusas, ora excessivamente pessimistas, ora de exagerada apologia, foram publicadas a respeito, em artigos e estudos diversos?

Faltava, entretanto, uma visão de conjunto do panorama socioeconômico chileno, sem compromissos políticos de qualquer espécie, sem exageros nem omissões destinadas a beneficiar a este ou àquele lado. Mas, sim, baseada inteiramente em documentação segura, abundante, própria e enfrentar uma análise técnica inobjetável, apresentando a imagem exata da nação tal qual ela é.

Essa tão necessária visão da realidade nacional encontra-se na esclarecedora obra do economista Carlos Patrício del Campo, intitulada "Chile 1987: olvidos y confusiones amenazan la propiedad privada y Ia libre iniciativa". O autor, socio da TFP brasileira e de nacionalidade chilena, participou do núcleo inicial de jovens universitários que, no início dos anos 60, fundou a revista "Fiducia", da qual foi o primeiro diretor. Esse grupo, em 1967, constituiu o quadro de sócios e cooperadores da sociedade chilena de Defesa da Tradição, Família e Propriedade — TFP.

Eis algumas 'verdades deste livro oportuníssimo, recém-editado pela TFP chilena, do qual "Catolicismo" notificou o lançamento, em sua edição de abril último.

Sabem os brasileiros que a extrema pobreza, entre 1970 e 1982, diminuiu de 21,0 para 14,0% da população total do Chile? Estão os brasileiros informados de que, segundo a CEPAL — Comissão Econômica para a América Latina (órgão da ONU) — em 1980, o índice de pobreza total no Chile era de 16,0% em relação ao total da população, um dos menores da América Latina, apenas inferior ao da Argentina?

Com respeito à mortalidade infantil, tem conhecimento o público do Brasil de que o Chile alcançou uma das menores taxas nas três Américas (17,9 por mil, em 1985), só comparável à dos Estados Unidos e Canadá? E, no que se refere ao analfabetismo, que no Chile praticamente desapareceu, restando apenas 5,0% de analfabetos?

Sabia o leitor, enfim, que o Banco Mundial apontou o caso chileno como modelo de política econômica para combater os efeitos sociais nocivos do ajuste recessivo na América Latina?

Uma campanha urgente e necessária

Uma onda de difamação, em âmbito internacional, vem se acentuando nos últimos tempos para denegrir a imagem do Chile, apresentando-o como se debatendo numa situação de pretensa e generalizada miséria.

A presença de João Paulo II em território chileno atraiu a atenção da opinião pública mundial, que viu a nação através dos olhos de centenas de jornalistas estrangeiros.

Eles, naturalmente, perguntavam: Chile, o que é? Chile, o que faz?

A TFP chilena ofereceu a resposta a tais indagações, publicando e difundindo o mencionado estudo de Carlos Patrício del Campo, Master of Science em Economia Agrária pela Universidade da Califórnia, Berkeley, (EUA).

O primeiro exemplar da obra, finamente encadernado, foi remetido, antes da viagem, a S. S. João Paulo II, em Roma. Igualmente receberam-na o Presidente da República, os Membros da Junta de Governo, os Ministros de Estado e as principais autoridades do país, os membros da Hierarquia Eclesiástica, membros do Corpo Diplomático, os dirigentes de todas as correntes partidárias, bem como jornalistas e correspondentes estrangeiros que cobriam a visita papal.

Nos dias que antecederam a chegada de João Paulo II, a TFP chilena realizou ampla campanha de difusão da obra nas principais artérias de Santiago. Em poucos dias, o livro tomou-se um dos assuntos mais comentados, nas rodas sociais chilenas. Nas livrarias, a venda de "Chile 1987: olvidos y confusiones amenazan la propiedad privada y la libre iniciativa" foi tal, que a obra logo apareceu na lista publicada pela imprensa de livros que mais se escoaram durante a semana.

A campanha da TFP chilena, pelo esplêndido número de exemplares vendidos, bem como pela quantidade e calor dos aplausos que despertou — e, por parte da esquerda, por manifestações de ódios sem argumentos, que suscitou — atingiu plenamente seu objetivo. Em apenas 15 dias de campanha, cerca de 1200 exemplares tinham sido vendidos e outro tanto gentilmente oferecidos pela entidade às autoridades e personalidades mencionadas.

A TFP chilena, a justo título célebre junto à opinião pública deste país por mais de 20 anos de oportuníssimas intervenções na vida nacional, alça uma vez mais sua voz. Agora, para evitar olvidos e esclarecer confusões sobre a realidade socioeconômica do Chile de hoje.

Olvidos e confusões que podem conduzir ao retorno da miséria material e moral do socialismo. Que Nossa Senhora do Carmo, Rainha e Padroeira, dessa Nação, preserve-a de tal catástrofe.

O CHILE É MUITO DIFERENTE DO QUE MOSTRAM OS PERIÓDICOS NO ESTRANGEIRO

SOB O TÍTULO "O Chile é um país diferente do que mostra a imprensa", o diário chileno "La Segunda" (edição de 13/4/87) apresenta significativas declarações de João Paulo II, reproduzidas pelo Bispo de Puerto Montt, Dom Eládio Vicuila.

"Recordo — declara Dom Eládio — que quando via o entusiasmo do povo nas ruas, o Santo Padre repetia constantemente: 'O Chile é muito diferente do que mostram os periódicos no estrangeiro. É um país culto, diferente de outros países que visitei'. A respeito das pessoas que saíam a seus passos para lhe saudar, comentou que `se vê gente alegre e bem vestida, não se vê roupas andrajosas"'

"QUE MENTIRA TÃO GRANDE!"

O BISPO DE Los Angeles, Dom Orozimbo-Fuenzalida, na qualidade de presidente do Centro de Comunicações Sociais do Episcopado chileno, prestou ao diário "La Época" (edição de 16/4/87) as seguintes declarações:

"Houve jornalistas que não tinham um olhar transcendente, mas um olhar míope. Vinham impregnados de um tipo de ideologia, vinham justificar o que eles traziam na mente. Alguns jornalistas disseram que as desordens do parque haviam sido promovidas pelos carabineiros. Que mentira tão grande! Como podem mentir quando estávamos ali mais de 50 bispos, 300 sacerdotes e o próprio Papa, e todos olhando de um ponto de visibilidade superior no estrado, como se desenvolviam estas situações violentas e trágicas s para o país?
"

Nos dias que antecederam à chegada de João Paulo II, a TFP chilena realizou ampla e impactante difusão da obra "Chile 1987: olvidos y confusiones amenazam la propiedad privada y la abre iniciativa" nas principais artérias de Santiago. Em apenas 15 dias, escoaram-se cerca de 1200 exemplares do livro.

Na confluência das Avenidas Providências e Tobalaba, na chamada zona oriente de Santiago, jovens da TFP do Chile oferecem ao público oportuno livro de Carlos del Campo sobre a realidade sócio-econômica do país irmão. Ao mesmo tempo, ostentam vistosa faixa alusiva à campanha.

Diante de um público de mais de 200 pessoas, a TFP chilena lançou o estudo de Carlos Patricio del Campo, no exato momento em que os olhos do mundo inteiro voltaram-se para o Chile, em virtude da visita de João Paulo II.

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